
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) decidiu adiar sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, que tinha sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ocorrer nesta quinta-feira (22).
Os dois se encontraram pela última vez no dia 29 de setembro do ano passado, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar, em Brasília. Desde então, a situação jurídica e o cenário político envolvendo o ex-presidente passaram por mudanças. Além disso, a relação do governador com parte do clã Bolsonaro acumulou desgastes.
Tarcísio, que vinha sendo cotado para concorrer à Presidência neste ano com apoio do aliado — embora diga ter interesse em disputar a reeleição —, viu Bolsonaro lançar a pré-candidatura do filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O senador ainda busca consolidar seu projeto.
Ao anunciar a desistência, na noite desta quarta-feira (20), a equipe de Tarcísio justificou que a visita seria adiada “a pedido do governador para cumprimento de compromissos em São Paulo” e afirmou que uma nova data será solicitada ao STF.
Veja em oito pontos o que aconteceu desde a última visita de Tarcísio a Bolsonaro:
1 – Bolsonaro foi para regime fechado
Em 22 de novembro, Moraes determinou a prisão preventiva de Bolsonaro, após o ex-presidente tentar violar a tornozeleira eletrônica que usava na prisão domiciliar — imposta por causa do descumprimento de restrições. O ministro também citou como justificativa o risco de fuga.
Bolsonaro foi levado para a superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, o que restringiu seu contato com políticos aliados e o acesso a informações externas. As visitas de familiares, advogados e médicos passaram a ser autorizadas gradualmente.
2 – Bolsonaro começou a cumprir pena
Até então em prisão preventiva, Bolsonaro começou a cumprir sua pena definitiva em 25 de novembro, por causa da condenação no STF pela tentativa de golpe de Estado. Ele foi mantido na superintendência da PF para cumprir a pena de 27 anos e três meses em regime fechado.
A decisão foi tomada após o trânsito em julgado do processo no STF, depois que Moraes considerou que a possibilidade de recursos já tinha se esgotado.
3 – Projeto da dosimetria foi aprovado
O Senado aprovou, em 17 de novembro, o projeto de lei da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo Bolsonaro. O alívio nas punições não era o objetivo inicial do ex-presidente e de seus aliados, que trabalhavam por uma anistia, isto é, o perdão das penas. A redução, no entanto, foi vista como um passo intermediário.
O projeto foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 8, durante evento no Palácio do Planalto para relembrar os três anos das invasões às sedes dos três Poderes. O Congresso Nacional, que está em recesso e retorna em fevereiro, pode derrubar o veto.
4 – Trump derrubou tarifaço sobre o Brasil
A ajuda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha dado a Bolsonaro — ao impor tarifas extras sobre importações brasileiras, exigindo em troca a interrupção do julgamento do ex-presidente e do que chamou de “caça às bruxas” — acabou se desfazendo.
Em 20 de novembro, Trump derrubou o tarifaço aplicado sobre os principais itens de exportação do Brasil para os EUA, jogando um balde de água fria nas articulações do até então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Depois, o governo americano também retirou sanções a autoridades brasileiras, incluindo a imposição da Lei Magnitsky sobre Moraes e sua esposa.
5 – Flávio se lançou candidato a presidente
O senador Flávio Bolsonaro lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em 5 de dezembro, surpreendendo adversários e até mesmo aliados. Ao anunciar ter sido escolhido pelo pai para representá-lo na corrida, ele contribuiu para afastar Tarcísio de uma candidatura nacional.
No Natal, a decisão de Bolsonaro foi reafirmada em uma carta apresentada pelo senador, às vésperas de uma cirurgia a que o ex-presidente foi submetido no hospital. Na mensagem, de 25 de dezembro, o ex-presidente disse que Flávio terá “a missão de resgatar” o Brasil.
6 – Bolsonaro foi transferido para a “Papudinha”
Após Bolsonaro sofrer uma queda na cela na PF e sua defesa reiterar o pedido de prisão domiciliar, Moraes resolveu determinar, no último dia 15, a transferência do ex-presidente para a Papudinha, como é conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda.
No local, Bolsonaro dispõe de mais espaço e de condições melhores para assistência de saúde. Seria na Papudinha que o ex-presidente receberia a visita de Tarcísio nesta quinta, prevista para ocorrer das 8h às 10h.
O governador, que vem fazendo articulações nos bastidores em prol do retorno do aliado para a prisão domiciliar, disse que pretende “visitar um grande amigo”, demonstrar “solidariedade e apoio” e “ver se ele está precisando de alguma coisa”.
7 – Tarcísio e Michelle fizeram “dobradinha”
Em meio às movimentações da pré-candidatura de Flávio, Tarcísio manteve a publicação de conteúdos nas redes sociais com enfoque nacional, o que contribuiu para inflar as especulações de que ele ainda poderia mirar uma candidatura presidencial.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) republicou em seu perfil, nos últimos dias, vídeos de Tarcísio. Em um deles, o governador fazia críticas indiretas a Lula e pedia união da direita para derrotar o PT. Tarcísio e Michelle também uniram esforços ao procurar ministros do STF para levar preocupações sobre a situação de saúde do ex-presidente e reivindicar a prisão domiciliar.
8 – Tarcísio adiou visita após ruídos
Horas após confirmar que visitaria Bolsonaro para oferecer ajuda e renovar seu apoio, Tarcísio recuou, alegando “compromissos em São Paulo” na mesma data. A desistência ocorreu em meio a ruídos na relação com Eduardo, Carlos e Flávio, filhos de Bolsonaro.
Uma das razões para o incômodo foram as declarações de Flávio na tarde de quarta. O senador antecipou as mensagens que, segundo ele, seu pai transmitiria ao governador: que Tarcísio deveria se concentrar na campanha à reeleição, para garantir um palanque forte para Flávio no Estado, e enterrar qualquer ambição nacional.
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