
Em áreas próximas à cidade de Kherson, no sul da Ucrânia, o regime da Rússia tem utilizado drones de ataque para caçar e matar civis, segundo revelou nesta sexta-feira (28) uma reportagem da agência Associated Press (AP). Moradores relataram à agência que os equipamentos, sob controle de russos, passam horas sobrevoando ruas, casas e estradas, aguardando o momento em que uma pessoa ou veículo aparece para lançar explosivos.
Kherson foi uma das primeiras regiões onde tropas russas empregaram os drones FPV – veículos aéreos de curto alcance equipados com câmeras de transmissão ao vivo que permitem ao operador escolher alvos em tempo real.
Moradores descrevem o ambiente como um “safári humano”. Entre os casos relatados pela reportagem da AP está o de Olena Horlova, que vive na região. Ela afirmou que dirige à noite sem faróis para não ser detectada e que os drones, ao ficarem sem bateria, pousam em telhados e esperam por movimento.
“Quando pessoas, carros ou até ciclistas aparecem, o drone levanta voo e solta o explosivo”, disse. Segundo ela, os ataques também são direcionados a animais, como vacas e cabras.
A AP destacou que vídeos interceptados por um batalhão ucraniano de guerra eletrônica mostram drones russos voando baixo para procurar carros, caminhonetes e até ambulâncias identificadas. O comandante da unidade, Dmytro Liashok, afirmou à AP que pelo menos 300 drones se dirigem diariamente à área de Kherson. Em outubro, foram registrados 9 mil sobrevoos. A agência não conseguiu verificar de forma independente o número exato, mas confirmou o padrão de ataques.
Dados do Escritório de Direitos Humanos da ONU citados pela AP indicam que drones de curto alcance se tornaram a principal causa de mortes de civis próximo à linha de frente na Ucrânia. Desde julho de 2024, mais de 200 civis foram mortos e mais de 2 mil ficaram feridos nas três regiões do sul, além de cerca de 3 mil casas destruídas ou danificadas.
A AP também registrou depoimentos de profissionais de saúde que atendem vítimas dos ataques. O médico Yevhen Haran, vice-diretor de um hospital de Kherson, classificou o padrão como “caçada a pessoas”. Ele afirmou que a unidade recebe pacientes feridos por drones “todos os dias” e relatou que também sofreu um ataque FPV em agosto enquanto dirigia com a esposa.
A AP acrescentou que canais russos no Telegram publicam rotineiramente vídeos dos ataques com legendas de deboche e ameaças.
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