
A resiliência da atividade econômica, refletida no bom desempenho dos indicadores de situação atual, impediu que o Índice de Confiança Empresarial (ICE) tivesse queda mais pronunciada em março, mesmo com a grande incerteza global provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. No mês passado, o ICE recuou 0,4 ponto, para 91,9 pontos.
O ICE consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas sondagens empresariais produzidas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre): Indústria, Serviços, Comércio e Construção.
“A queda foi pequena, dada a dimensão da crise”, resume o economista Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV Ibre e responsável pelo indicador.
Queda puxada pelas expectativas
Campelo Jr. explica que a queda de março foi puxada pelas expectativas. O Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) avançou 0,3 ponto, para 93,3 pontos. Entre seus componentes, o indicador que mede o nível de demanda no momento presente avançou 1,6 ponto, para 95,4 pontos, enquanto o indicador que mede a satisfação com a situação atual dos negócios recuou 1,0 ponto, para 91,3 pontos.
O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E), por sua vez, recuou 1,1 ponto no mês, alcançando 90,5 pontos. O componente que mede as perspectivas de evolução dos negócios nos próximos seis meses recuou 1,9 ponto, para 89,4 pontos, enquanto o indicador referente à demanda esperada para os três meses seguintes cedeu 0,3 ponto, para 91,8 pontos.
O economista destaca que, no mês passado, os setores de construção e da indústria avançaram 2,1 pontos e 0,1 ponto respectivamente, enquanto comércio e serviços recuaram, respectivamente 2,7 pontos e 1,8 ponto. Campelo Jr. afirma que a indústria e a construção têm uma “dinâmica diferente”, principalmente uma questão cíclica no caso da construção.
Efeitos de ano eleitoral, programa MCMV e juros
O setor se beneficia em ano eleitoral, com obras contratadas por governos que aceleram entregas no fim do mandato. Além disso, a construção no Brasil avança com a retomada do Minha Casa, Minha Vida. “A construção tem ciclos mais longos. É razoável ter uma resiliência natural”, diz Campelo Jr. sobre a confiança dos empresários do setor.
Para ele, comércio e serviços é que estão “rateando”, uma vez que sofreram não apenas com o início da guerra no Oriente Médio, mas também com a redução das expectativas de corte da taxa básica de juros. Em março, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto perentual, para 14,75% ano.
O mercado dava por certo, na virada do ano, que o BC iniciaria uma trajetória de redução dos juros básicos, mas o conflito bélico e a volta dos riscos inflacionários — principalmente nos combustíveis — trouxe o temor de que os cortes não sejam tão profundos, ou mesmo que cessem. O fato é que essa incerteza contribui para a queda da confiança, lastreada principalmente na piora das expectativas.
“Havia uma recuperação cíclica em curso. A intensidade da turbulência global é que vai determinar se vai retomar a confiança empresarial ou se ela vai cair. Tudo será determinado pelo cenário global”, afirma Campelo Jr.. “Mas e muito difícil a confiança subir”, acrescenta o economista, que lembra que o ICE saiu de 81,2 pontos em agosto do ano passado para 92,5 pontos em janeiro deste ano.
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