
Uma resolução aprovada pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou as críticas à política monetária e à autonomia do Banco Central. Além disso, o texto trouxe posicionamentos sobre política externa ao defender a Venezuela e Cuba contra o que classifica como pressões internacionais
Ao defender a redução da taxa básica de juros, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a atuação da autoridade monetária como “um obstáculo ao projeto político petista”. O texto foi aprovado na sexta-feira (6), durante reunião em Salvador, e divulgado no sábado (7), em meio às comemorações dos 46 anos da sigla.
A resolução também afirma que a autonomia do BC, instituída durante o governo Jair Bolsonaro, teria transformado a política monetária em um instrumento de “bloqueio” ao crescimento econômico, ao aprofundar a “financeirização da economia, drenar recursos públicos e restringir investimentos produtivos”.
No documento, o partido sustenta que “é momento de reduzir a taxa de juros, que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional”. Segundo a resolução, a política atual compromete o investimento produtivo e limita a capacidade de expansão da economia, razão pela qual o partido afirma que seguirá pressionando por mudanças no rumo da política de juros nos próximos meses
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na próxima reunião, prevista para março. Mesmo assim, o presidente do BC, Gabriel Galípolo — indicado pelo presidente Lula — tem sido alvo de críticas internas no partido por não acelerar a redução da taxa.
Nesta semana, em entrevista ao portal UOL, Lula afirmou que conversa diariamente com Galípolo sobre o patamar elevado dos juros, logo após dizer que o país é “feliz” por tê-lo à frente da autoridade monetária.
Apoio do PT à Venezuela e a Cuba
Na parte dedicada à política externa, a resolução do Diretório Nacional do PT afirma que o Brasil não deve aceitar “qualquer tentativa de interferência externa” sobre a autodeterminação dos povos e condena o que classifica como ataques à Venezuela e ameaças a Cuba. O documento não menciona diretamente os Estados Unidos, mas sustenta que esse tipo de pressão remete a períodos históricos de ingerência na América Latina.
Outro eixo central da resolução é a defesa de uma regulamentação do ambiente digital antes das eleições. O PT sustenta que as redes sociais e grandes plataformas se tornaram uma nova arena política marcada pela disseminação acelerada de informações falsas.
“O espaço digital não pode ser território de manipulação nem instrumento de ataque às instituições”, afirma o texto, que cobra esforços nacionais contra fake news e uso ilegal de inteligência artificial para garantir eleições “verdadeiramente democráticas e transparentes”
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