
O pré-acordo alcançado à margem do Fórum Econômico Mundial de Davos sobre a Groenlândia consiste em quatro pilares, segundo jornais europeus, que incluem a renegociação do acordo de permanência de tropas americanas na ilha ártica para a criação do escudo antimísseis Golden Dome (Cúpula Dourada, em português) e o controle dos EUA sobre investimentos no território semiautônomo dinamarquês.
Os quatro fundamentos do pré-acordo – forjado na tarde desta quarta-feira na estação alpina suíça entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e em cujas negociações também teria estado envolvido o chanceler alemão, Friedrich Merz – foram detalhados por meios de comunicação alemães como Der Spiegel e Die Welt.
Estes são os quatro pontos conhecidos atualmente do pré-acordo, segundo as publicações:
Cancelamento das tarifas
No primeiro ponto do texto, consta de forma genérica que “retira-se a ameaça de impor novas tarifas”.
Trump já havia adiantado ontem à noite que desistirá de impor novas tarifas aos oito países europeus que enviaram soldados à Groenlândia a partir de 1º de fevereiro para participar de manobras militares lideradas pela Dinamarca.
Por sua vez, os líderes da União Europeia (UE) tinham previsto debater nesta quinta, em uma cúpula extraordinária, diferentes possibilidades para responder a essa ameaça, incluindo a medida mais contundente, o chamado instrumento anti-coerção – apelidado de “bazuca comercial” – e a introdução de tarifas no valor de cerca de 93 bilhões de euros sobre importações americanas.
Renegociação de acordo sobre tropas na Groenlândia
Será renegociado um acordo sobre a permanência de tropas na Groenlândia que data de 1951, emendado em 2004 e intitulado “Defesa: Groenlândia”. Nesse documento, em seu artigo 1º, consta que a base aérea de Thule ou Pituffik, no norte da ilha ártica, “é a única zona de defesa na Groenlândia”.
O objetivo é alterá-lo novamente para incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimísseis que Trump deseja estabelecer e que custará cerca de US$ 175 bilhões.
Trump quer que o escudo, inspirado no de Israel, esteja operacional até o fim de seu atual mandato, em 2029, e que proteja – principalmente de uma eventual ameaça da China e da Rússia – não apenas os EUA, mas também o Canadá.
Investimentos na Groenlândia
O governo dos EUA poderá intervir no controle de investimentos na Groenlândia. Dessa forma, poderá impedir que países concorrentes, como China ou Rússia, garantam recursos na ilha. Trump já havia adiantado na véspera, em entrevista à emissora CNBC, que o pré-acordo incluirá direitos sobre minerais de terras raras na ilha.
Compromisso de países europeus com a segurança do Ártico
Os países europeus da Otan comprometem-se mais firmemente com a segurança na região ártica. Trata-se de uma exigência de Trump, que utilizou a suposta presença de navios e submarinos chineses e russos em torno da Groenlândia como argumento para afirmar que desejava “obter” a ilha por motivos de segurança nacional, e que apenas os EUA seriam capazes de garantir a segurança dessa “massa de gelo” para proteger seu país e o mundo.
No pré-acordo não está incluída, até onde se sabe, nenhuma menção sobre a soberania da ilha e sua integridade territorial, que a Dinamarca e a Groenlândia sempre se recusaram a entregar a Trump.
Acordo sobre Groenlândia não questiona soberania dinamarquesa, diz primeira-ministra
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta quinta-feira que o acordo sobre a Groenlândia no qual os EUA trabalham com a Otan não discute a soberania da Dinamarca sobre esse território autônomo, conforme informado pelo secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte.
“A Otan conhece absolutamente a posição do Reino da Dinamarca. Podemos negociar sobre tudo o que é político: segurança, investimentos, economia. Mas não podemos negociar sobre nossa soberania. Fui informada de que este também não foi o caso. Naturalmente, apenas a Dinamarca e a Groenlândia podem tomar decisões em questões que concernem à Dinamarca e à Groenlândia”, declarou Frederiksen em comunicado.
Frederiksen destacou que o governo dinamarquês coordenou sua atuação com o da Groenlândia durante todo o processo e manteve um “diálogo estreito” com a Otan, e que ela própria conversou com Rutte “tanto antes quanto depois de sua reunião com o presidente Donald Trump em Davos”.
“O secretário-geral da Otan não tem mandato para negociar em nome da Groenlândia, nem tem mandato para negociar em nome da Dinamarca”, enfatizou Frederiksen em entrevista posterior à emissora pública dinamarquesa DR e ao canal TV2.
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