
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro fora da agenda oficial da Presidência da República. Este encontro foi noticiado primeiro pelo portal Metrópoles e confirmado por CNN, Valor, Uol e a rádio Band News, sem ter sido negado pelos envolvidos.
Na reunião, da qual teriam participado também o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o banqueiro se queixou da concentração do mercado bancário e de suas consequências negativas para o Banco Master. Lula teria respondido que a questão era um problema técnico de regulação que caberia ao BC.
O encontro mostra a dimensão do acesso que Vorcaro tinha ao círculo mais alto do poder em Brasília. Na semana passada, Lula disse que “falta vergonha na cara” a quem defende o “sujeito do Master”. Procurada, a presidência da República não respondeu ao nosso contato.
Influências
Vorcaro foi o principal alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que chegou a prendê-lo por alguns dias no final do ano passado. O ministro Dias Toffoli levou o caso para o Supremo Tribunal Federal (STF) e determinou o sigilo das investigações. A possível infiltração dos interesses de grandes empresários do setor financeiro na Corte ficou evidente após a publicação de uma série de denúncias envolvendo Toffoli.
Em seu depoimento à PF, o banqueiro Vorcaro mencionou, entre os nomes de políticos que encontrou, apenas o do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), sem qualquer menção ao presidente Lula. Representantes do banqueiro foram procurados para comentar, mas ainda não se posicionaram. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
Nova fase das investigações
A Polícia Federal deflagrou no início do mês uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras ligadas ao banco Master. De acordo com as autoridades, o grupo explorou de forma sistemática “vulnerabilidades do mercado de capitais” para executar as operações suspeitas.
A apuração identificou operações com ativos sem liquidez, preços artificialmente inflados, uso de laranjas e transações entre partes relacionadas com vínculos societários ou familiares. Em depoimento à Polícia Federal que teve trechos vazados na última semana, Daniel Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentava crises constantes de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como sua própria estratégia de negócios.
Os investigadores apontam que o grupo, formado por Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Banco Master, pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
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