
O deputado André Ventura, líder do partido Chega, da direita nacionalista, garantiu vaga no segundo turno das eleições presidenciais de Portugal ao terminar o primeiro turno, realizado neste domingo (18), na segunda colocação, atrás apenas do socialista António José Seguro. O resultado reforça a consolidação da direita nacionalista como uma das principais forças políticas do país.
Segundo dados oficiais da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Ventura obteve 23,5% dos votos válidos, enquanto Seguro, ficou acima de 30%. O segundo turno – algo que não ocorria em uma eleição presidencial portuguesa há décadas – está marcado para ocorrer no dia 8 de fevereiro.
A ida do Chega ao segundo turno da eleição presidencial é mais um marco de um processo de crescimento contínuo do partido desde sua fundação, em 2019. Tendo o combate à imigração ilegal como um dos principais eixos do discurso político, a legenda passou de ser uma força marginal em Portugal para se tornar uma das principais referências da direita conservadora e nacionalista no país em poucos anos.
Em sua primeira disputa eleitoral, nas eleições legislativas de 2019, o Chega obteve pouco mais de 1% dos votos e elegeu apenas André Ventura para o Parlamento. O desempenho inicial modesto, no entanto, deu lugar a uma rápida expansão nas eleições seguintes.
Nas eleições legislativas de 2022, o Chega ampliou sua popularidade e alcançou 7% dos votos válidos, formando uma bancada de 12 deputados no Parlamento português. O resultado marcou a consolidação da legenda conservadora como uma força política relevante, ampliando sua presença no debate nacional, especialmente nos temas ligados à imigração, segurança pública e combate à corrupção.
O crescimento se intensificou nas eleições legislativas seguintes. Em 2024, o Chega ultrapassou a marca de 18% dos votos válidos, ampliando de forma expressiva sua representação parlamentar. Já no ano passado, na eleição legislativa antecipada, o partido alcançou cerca de 22,8% dos votos, elegendo 60 deputados, tornando-se assim a segunda maior força política de Portugal, atrás apenas da coalizão liderada pelo Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita.
No histórico eleitoral do Chega também entram as disputas para o Parlamento Europeu. Em 2019, ainda em fase inicial de formação, o partido não concorreu sozinho: Ventura foi cabeça de chapa da coligação Basta!, que reuniu legendas conservadoras, mas obteve apenas cerca de 1,5% dos votos e não elegeu eurodeputados. Já nas eleições europeias de 2024, o Chega concorreu de forma independente e alcançou aproximadamente 10% dos votos, elegendo dois representantes para o Parlamento Europeu e ficando em terceiro lugar nacional – um desempenho que marcou a consolidação continental do partido.
Antes do resultado atual, Ventura já havia disputado uma eleição presidencial. Em 2021, ele concorreu pela primeira vez ao cargo, ainda em um momento inicial de consolidação do Chega, quando o partido contava com apenas com ele sendo deputado no Parlamento. Naquela eleição, Ventura ficou em terceiro lugar, com cerca de 11,9% dos votos válidos, atrás do atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito no primeiro turno, e da ex-eurodeputada Ana Gomes.
A presença de Ventura e do Chega no segundo turno desta eleição é vista como politicamente relevante, embora o cargo de Presidente da República em Portugal tenha funções predominantemente institucionais, como vetar leis, dissolver o Parlamento e convocar eleições. Análises publicadas pela imprensa portuguesa indicam que o resultado confirma uma reconfiguração do sistema partidário do país e consolida a direita nacionalista, liderada pelo Chega, como um dos atores principais e permanentes da política portuguesa.
Para Filipe Teles, cientista político e pesquisador da Universidade de Aveiro, o desempenho de Ventura na eleição deste domingo confirma a consolidação eleitoral do Chega em Portugal.
“O fato de André Ventura chegar ao segundo turno, com cerca de 24% dos votos, mostra que o Chega mantém um eleitorado fiel e permite ao partido afirmar que é o novo líder da direita [portuguesa]”, avaliou Teles ao jornal portugês Público.
Em seu discurso após ser confirmado no segundo turno, Ventura também afirmou que o resultado deste domingo consolida o Chega como a principal força da direita portuguesa fora do campo socialista: “Vamos liderar o espaço não socialista em Portugal”, declarou o presidenciável diante de apoiadores. Para Ventura, mesmo em um cenário de fragmentação da direita tradicional, o eleitorado fez uma escolha clara.
“A direita se fragmentou como nunca, mas os portugueses deram a nós a liderança dessa direita”, disse.
Ventura também destacou que sua campanha superou candidaturas apoiadas por forças políticas tradicionais.
“Conseguimos derrotar o candidato do governo e do montenegrismo (ala de Luís Montenegro, premiê português do partido PSD, de centro-direita); o candidato que se dizia liberal, mas estava alinhado à agenda globalista e contra Portugal”, afirmou. O líder do Chega fez ainda um apelo direto a outros partidos não socialistas de Portugal, defendendo unidade neste segundo turno.
“A direita só perderá eleições com o egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal e de outros que se dizem de direita. Agora é que vamos ver a fibra de que são feitos”, concluiu.
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