
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou no domingo (12) que está sendo investigado pelo governo de Donald Trump em relação ao seu depoimento perante o Congresso em junho do ano passado, a respeito da reforma bilionária da sede do banco central.
“Na sexta-feira, o Departamento de Justiça entregou ao Federal Reserve (Fed) intimações do grande júri, ameaçando com acusações criminais relacionadas ao meu depoimento perante a Comissão Bancária do Senado em junho passado”, disse Powell em um comunicado e vídeo.
“O depoimento dizia respeito, em parte, a um projeto plurianual de reforma dos prédios históricos do Fed”, acrescentou o chefe do banco central, que abandonou o tom cauteloso habitual em seus discursos e denunciou ser vítima de “intimidação” por parte do governo Trump.
Powell acredita que tanto seu depoimento quanto a reforma da sede do Fed são “pretextos” e que a ameaça de acusações criminais decorre do fato de o banco central estar agindo com base em suas avaliações econômicas “em vez de seguir as preferências do presidente dos EUA”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, vem criticando duramente Powell há meses por não reduzir as taxas de juros o suficiente e defende que seu sucessor, que deve assumir o cargo em maio, adote uma política monetária alinhada com suas visões.
“Trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas, ou se a política monetária será, em vez disso, guiada por pressão política ou intimidação”, disse Powell em seu comunicado.
O presidente do Fed denunciou isso como “uma ação sem precedentes que deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão atual do governo Trump” e reafirmou seu compromisso de cumprir seu dever “sem medo ou favores políticos”.
Trump e outros altos funcionários do governo criticaram a reforma da sede do Fed e, no verão passado, o presidente reclamou que o custo total havia disparado do valor já conhecido de cerca de US$ 2,5 bilhões, US$ 700 milhões a mais do que o plano inicial, para US$ 3,1 bilhões, uma alegação que Powell refutou.
Em seus esforços para exercer maior controle sobre a instituição responsável pela estabilidade de preços e pelo pleno emprego nos EUA, o presidente tentou destituir Lisa Cook, membro do Conselho de Governadores do Fed, acusando-a de fraude hipotecária.
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