
Além de dedicar-se à montagem de palanques estaduais – com chapas para governos e o Senado – o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também agregou à estratégia de pré-campanha à Presidência da República a mobilização de puxadores de votos para a Câmara, incluindo até partidos do Centrão.
Poucas semanas após declarar apoio a Flávio Bolsonaro, o influenciador e ex-candidato Pablo Marçal anunciou a mudança do PRTB para o União Brasil. A cerimônia de filiação, realizada em São Paulo no último dia 6, reuniu líderes da sigla e do PP, que formam a maior federação partidária do país.
Em outro movimento, no Rio Grande do Sul, o influenciador e vereador de Erechim Ronny Gabriel atendeu a um pedido de Flávio para migrar do PL para o Podemos, pelo qual disputará uma cadeira na Câmara. Ele disse que “a missão” recebida visa a reforçar a coligação estadual da direita.
Aliado de Flávio em sigla do Centrão, Marçal adota discurso conciliador
O principal propósito da filiação de Marçal ao União foi ganhar estrutura partidária robusta para manter sua projeção política, além de ajudar a legenda eleitoralmente. O partido espera que ele possa concorrer a deputado, caso consiga suspender de vez sua inelegibilidade na Justiça.
No evento de filiação de Marçal ao União, foi exibida uma mensagem em vídeo de Flávio Bolsonaro, na qual ele enaltece a força do influenciador nas redes sociais, o parabeniza pela entrada na legenda e manifesta desejo de sucesso na aliança entre a direita e a centro-direita no plano nacional.
Em seu discurso, Marçal fez autocrítica e falou em conciliação. Ele reconheceu excessos na campanha pela Prefeitura de São Paulo, em 2024, na qual acabou em terceiro lugar, e defendeu que o ambiente político tenha menos confrontos. Mas prometeu ajudar a “encerrar a era Lula” à frente do Palácio do Planalto.
Vereador do RS ganha projeção como delator de esquema do Master
Ronny Gabriel emergiu nos últimos meses como um dos principais influenciadores da direita na internet. Com vídeos longos e tom analítico, comenta temas nacionais, alcançando dois milhões de seguidores no Instagram e rompendo limites da política local.
O crescimento da presença digital do vereador o transformou em nome cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A projeção nacional obtida nas plataformas digitais o colocou no radar de partidos e movimentos conservadores que buscam novos puxadores de votos.
A visibilidade aumentou ainda mais quando Ronny denunciou o esquema de compra de influenciadores digitais associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do Caso Master. Suas acusações repercutiram na imprensa e deram fôlego para investigações e iniciativas da oposição.
Pragmatismo induz ida de puxadores de votos de direita para o Centrão
Para o cientista político Ismael Almeida, a aposta do Centrão em conservadores campeões de votos reflete o pragmatismo dos partidos. “Sua prioridade é ampliar bancadas na Câmara, pois o tamanho delas define o acesso a recursos, peso político e tempo de propaganda”, explica.
A movimentação de candidatos entre legendas atende ainda, segundo Almeida, à lógica de organização das chapas proporcionais. “Ao reunir muitos nomes fortes na mesma sigla, diminui o espaço para candidatos com menor densidade eleitoral, necessários para completar listas”.
O especialista discorda da ideia de que o PL esteja perdendo puxadores de voto devido a acordos eleitorais. Segundo ele, a sigla de Flávio Bolsonaro concentra candidatos competitivos, afastando os nomes médios e levando a migrações combinadas para facilitar a montagem de chapas.
PL aposta em jovens influenciadores para ampliar bancada na Câmara
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, conta com candidatos a deputado de alto potencial eleitoral, como Lucas Pavanato (SP), para repetir o fenômeno de 2022 quando Nikolas Ferreira (MG), então vereador em Belo Horizonte, foi o deputado mais votado no país, com quase 1,5 milhão de votos.
Para 2026, o PL investe em influenciadores digitais jovens, sobretudo em São Paulo, para suprir a falta dos ex-deputados Eduardo Bolsonaro, que mirava o Senado, e Carla Zambelli. Vereador mais votado do país em 2024, com 161 mil votos na capital paulista, Pavanato é o maior destaque.
Com forte atuação em redes sociais, a vereadora Zoe Martínez, também de São Paulo, é outro nome forte oferecido que deve tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Já Nikolas Ferreira pode ajudar na meta do PL de ampliar a bancada para 115 membros. Em 2022, foram 99 eleitos. Apesar das mudanças na composição, a sigla conta com 90 parlamentares e segue como o maior partido da Câmara.
Especialista vê liderança nacional de Nikolas entre puxadores de votos
Marcus Deois, diretor da consultoria política Ética, lembra que os cenários partidários regionais ainda estão em construção, mas é possível perceber uma perda no número de puxadores de voto da direita, sobretudo em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, diante da saída de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli. A votação dos dois somada em 2022 chegou a quase 1,7 milhão – Zambelli fez 946.244 votos e Eduardo Bolsonaro, 741.701 votos.
Nesse contexto, o especialista avalia que Nikolas Ferreira continuará a se destacar com folga dentro do perfil de puxador de votos. “Por essa razão, o deputado mineiro tende a ser, de novo, o principal nome do campo conservador na disputa para a Câmara neste ano”, aposta.
Outro foco de mobilização deve ser o Distrito Federal, com a candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado. Segundo Deois, porém, esse movimento tende a ter pouco efeito sobre o tamanho final da bancada do Partido Liberal na Câmara dos Deputados.
Eventos de filiações são uma das marcas da pré-campanha de Flávio
Flávio Bolsonaro tem intensificado a presença em eventos de filiação e outros atos políticos pelo país, sobretudo no Norte e Nordeste, dentro da pré-campanha. O objetivo é definir palanques estaduais, fortalecer o PL e ampliar a base de apoio entre líderes políticos e religiosos.
No acordo eleitoral entre o Partido Liberal e o Podemos, por exemplo, o candidato ao governo gaúcho é o deputado federal Luciano Zucco (PL), que foi um importante puxador de votos nas eleições de 2022. A reposição desse papel eleitoral se tornou difícil, mesmo com a filiação ao PL de Maurício Marcon, ex-Podemos.
“É claro que ainda veremos a figura do puxador de votos da direita nas eleições de 2026, mas em menor quantidade. O cenário político ainda não está suficientemente tensionado para que esse tipo de liderança surja com a mesma força de antes”, avalia Marcus Deois, da Ética.
Movimentações têm abertura da janela partidária como pano de fundo
A abertura da chamada janela partidária para as eleições, do último dia 5 até 3 de abril, está na base da movimentação de candidatos da direita. No período, parlamentares eleitos por voto proporcional podem mudar de partido sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
Nesse contexto, deputados buscam siglas com melhores condições para disputar as eleições, negociando acesso a recursos e novas alianças regionais — fatores tidos como decisivos para projetos que incluem a reeleição à Câmara e as candidaturas ao Senado e a governos estaduais.
O período também altera o equilíbrio entre as legendas. As maiores ou com mais recursos tendem a atrair quadros competitivos, enquanto as menores temem perdas de bancada e influência. As movimentações já começaram com foco em estados cruciais para o tabuleiro eleitoral de 2026.
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