
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) eliminou grande parte das alusões ao Cartel de Los Soles na nova acusação contra o capturado ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, que já não o aponta como líder do grupo narcotraficante, caracterizado agora no documento como um “sistema de clientelismo”.
Uma acusação de um grande júri americano em 2020 indicava que Maduro “ajudou a gerir e, em última instância, a liderar o Cartel de Los Soles à medida que ascendia ao poder na Venezuela”, argumentos repetidos pelo presidente Donald Trump como justificativa para a campanha antidrogas que realiza no Caribe.
Em agosto do ano passado, quando elevou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Maduro, o DOJ voltou a destacar esse vínculo.
“Maduro usa organizações terroristas estrangeiras como Tren de Aragua, [Cartel de] Sinaloa e Cartel de Los Soles para trazer drogas letais e violência para o nosso país”, disse a procuradora-geral Pam Bondi na ocasião.
No entanto, na nova acusação modificada pela procuradoria horas após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas por forças de Washington, o texto anterior tem sua linguagem suavizada e as alusões ao suposto cartel como uma organização real são eliminadas, embora as acusações contra o venezuelano por tráfico de drogas sejam mantidas.
O documento revisado indica que Maduro “participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem mediante o narcotráfico e a proteção de seus parceiros narcotraficantes”.
Também menciona que esses lucros fluem para funcionários corruptos que “operam em um sistema de clientelismo dirigido por aqueles que estão no topo, conhecido como Cartel de Los Soles”.
Esta é uma das apenas duas menções no texto atualizado ao grupo criminoso, designado como organização terrorista pelos Estados Unidos e cujo nome provém das insígnias em forma de sol portadas pelos generais venezuelanos. Em contraste, na acusação de 2020, o termo aparecia dezenas de vezes.
Na segunda-feira (5), Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações a que respondem na Justiça federal americana, em audiência em um tribunal de Nova York.
Maduro é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
Já Flores é acusada de conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
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