
Pelo menos 39 pessoas morreram no sul da Espanha depois que um trem de alta velocidade descarrilou e colidiu com outro que vinha em sentido contrário na noite de domingo, em um dos piores acidentes ferroviários da Europa nos últimos 80 anos.
O acidente ocorreu perto de Adamuz, na província de Córdoba, a cerca de 360 km ao sul da capital, Madri. Deixou 122 feridos, dos quais 48 permaneciam hospitalizados e 12 em estado grave, segundo os serviços de emergência.
“O trem tombou para um lado… depois tudo ficou escuro, e tudo o que eu ouvia eram gritos”, disse Ana, uma jovem que viajava de volta a Madri e recebia atendimento em um centro da Cruz Vermelha em Adamuz.
Mancando e enrolada em um cobertor, com o rosto coberto por curativos, ela contou como foi retirada do trem, coberta de sangue, por uma janela, por outros passageiros que haviam conseguido escapar. Bombeiros resgataram sua irmã dos destroços e uma ambulância levou as duas ao hospital.
“Havia pessoas que estavam bem e outras que estavam muito, muito gravemente feridas. Elas estavam bem na sua frente e você sabia que iam morrer, e não havia nada que pudesse fazer”, afirmou.
OPERAÇÃO DE RESGATE COMPLEXA
A operação de resgate foi dificultada pela localização remota do acidente, que só podia ser acessada por uma estrada de pista única, o que dificultou a entrada e saída de ambulâncias, disse à Reuters Iñigo Vila, diretor nacional de emergências da Cruz Vermelha Espanhola.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o ministro dos Transportes, Óscar Puente, estavam entre as autoridades que se dirigiam ao local do acidente na manhã de segunda-feira. Sánchez cancelou sua viagem ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, após o acidente.
“O número de mortos subiu para 39 e ainda não é definitivo”, disse Puente na rede social X.
Havia cerca de 400 passageiros nos dois trens, segundo comunicados das duas operadoras, Iryo e a estatal Renfe, que opera o serviço Alvia.
A Guarda Civil informou que abriu um posto em Córdoba para que familiares forneçam amostras de DNA a fim de ajudar na identificação das vítimas fatais.
O trem da Iryo, que trafegava a 110 km/h, seguia de Málaga para Madri, enquanto o segundo trem se dirigia a Huelva a 200 km/h.
Ainda era cedo para falar sobre a causa do acidente, mas ele ocorreu em “condições estranhas”, disse o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, à rádio local Cadena Ser, acrescentando que o “erro humano está praticamente descartado”.
Segundo Heredia, o trem Alvia colidiu com os dois últimos vagões do trem da Iryo que haviam descarrilado, ou com destroços na linha. O trem da Iryo perdeu uma roda que ainda não foi localizada.
A colisão ocorreu cerca de 20 segundos após o descarrilamento, de modo que não houve tempo para acionar o freio de emergência, disse ele.
Problemas de infraestrutura em Adamuz, desde falhas de sinalização até questões nas linhas aéreas de energia, causaram atrasos em trens de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia 10 vezes desde 2022, segundo uma análise da Reuters da conta no X da Adif, administradora estatal da infraestrutura ferroviária.
O número de mortos é o maior em um acidente ferroviário na Espanha desde 2013, quando um trem descarrilou na cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, pegou fogo e matou 80 pessoas, além de ferir 145. O desastre está entre os 20 acidentes ferroviários mais letais da Europa nos últimos 80 anos, de acordo com dados da Eurostat.
LINHA FOI RENOVADA NO ANO PASSADO
Puente afirmou que o trem da Iryo tinha menos de quatro anos de uso e que a via férrea havia sido completamente renovada em maio passado, com um investimento de 700 milhões de euros (US$ 813,5 milhões). A Iryo disse que o trem passou por sua última inspeção em 15 de janeiro.
A rede ferroviária de alta velocidade da Espanha tem 3.622 km de trilhos, segundo a Adif, o que a torna a maior da Europa e a segunda maior do mundo, atrás apenas da China.
Cerca de 10 milhões de pessoas utilizaram a ligação ferroviária de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia em 2024, segundo a autoridade de concorrência CNMC.
O governo foi criticado no ano passado por uma série de atrasos na rede, causados por quedas de energia e pelo roubo de cabos de cobre das linhas. A rede é vulnerável a esse tipo de crime por atravessar grandes extensões de áreas rurais despovoadas.
A Espanha abriu sua rede ferroviária de alta velocidade à concorrência privada em 2020, numa tentativa de oferecer alternativas de baixo custo aos trens AVE da Renfe.
A Iryo é uma joint venture entre a operadora ferroviária estatal italiana Ferrovie dello Stato, a companhia aérea Air Nostrum e o fundo espanhol de investimentos em infraestrutura Globalvia. A empresa iniciou suas operações em novembro de 2022.
O trem da Iryo era um Frecciarossa 1000, principal modelo de alta velocidade da operadora estatal italiana Trenitalia, que começou a operar em 2015 e pode atingir velocidades de até 400 km/h, segundo a Trenitalia.
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