
Em janeiro, o regime de Cuba anunciou uma série de medidas para implementar um “estado de guerra” em meio à pressão crescente dos Estados Unidos. Dias depois, a crise na ilha se agravou com o anúncio de cancelamentos de voos, apagões recordes, racionamento de combustível e a moeda local em queda livre (500 pesos cubanos por dólar americano), o que levou a ditadura a adotar um tom mais brando, buscando “diálogo”.
Os planos de resistência dos castristas se baseiam no conceito de “Guerra de Todo o Povo”, uma estratégia promovida na década de 1980 pelo então ditador Fidel Castro que prevê a mobilização geral da população cubana para enfrentar uma possível agressão externa. Esse discurso, entretanto, mal tem encontrado eco nas ruas, onde a vida praticamente foi paralisada com restrições ao uso do transporte público e a suspensão de contratos de trabalho.
A crescente pressão americana sobre o setor energético cubano com a mais recente ameaça de imposição de tarifas a países que fornecem petróleo à ilha gerou uma reação em cadeia, que afetou rapidamente o setor de turismo, um dos últimos pilares de entrada de recursos externos que sustentam o regime. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem defendido que a ditadura não deve sobreviver até o final do ano.
Regime à beira do colapso?
Robert Huish, professor associado de Estudos de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Dalhousie, no Canadá, classificou a atual situação de Cuba como uma das piores catástrofes sociais e econômicas desde a revolução de 1959. Apesar disso, ele avaliou num artigo publicado no The Conversation que a crise inédita poderá ser insuficiente para derrubar o ditador Miguel Diáz-Canel e seus aliados.
Ele cita diferentes armas econômicas usadas pelos EUA desde o início da década de 1960. Uma das mais severas, conhecida como Lei Helms-Burton, não só proibia empresas americanas de fazerem negócios com Cuba, como também punia qualquer empresa estrangeira que negociasse ao mesmo tempo com os americanos e cubanos. E o regime sobreviveu.
Desde a ascensão de Fidel Castro, em 1959, outros duas crises se aproximaram da vivenciada atualmente em Cuba. Uma delas ocorreu com a Crise dos Mísseis de 1962, quando foram instalados mísseis nucleares soviéticos em Cuba e os EUA interviram com um bloqueio naval à ilha. A outra surgiu após a dissolução da União Soviética, que era a principal fornecedora de recursos ao regime castrista – o PIB cubano encolheu cerca de 35% quase instantaneamente depois da queda da União Soviética.
O que muda no cenário atual é o colapso generalizado da economia e dos sistemas essenciais, como o de energia, trabalho, saúde e alimentação. Embora as crises façam parte da história da ilha, nunca antes os cubanos vivenciaram desafios tão abrangentes internamente.
O corte no fornecimento de combustível promovido pelo governo Trump, com a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, elevou drasticamente a crise, visto que o petróleo é o que mantém o país funcionando, desde o transporte público às fábricas e fazendas em todo o país – e Havana tem capacidade de suprir apenas 40% dessa produção interna.
Nos últimos anos, já marcados pela precariedade econômica e social, a população recebia um racionamento mensal de arroz, feijão e outros alimentos básicos por meio de um cartão oferecido pelo regime, que durava em média 10 dias. No atual momento de crise, os alimentos mal estão disponíveis nos armazéns de distribuição. Simultaneamente, os cubanos enfrentam prolongados apagões que duram 20 horas por dia.
- Cuba à beira do colapso: a mudança está finalmente chegando?
Ditaduras aliadas mantêm postura cautelosa devido a possíveis reações dos EUA
A China reafirmou seu apoio político a Cuba nesta semana, mas evitou detalhar como poderia – e aceitaria – prestar assistência ao regime socialista.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, disse em coletiva de imprensa na quarta-feira que Pequim “apoia firmemente Cuba na salvaguarda de sua soberania e segurança nacionais” e que “se opõe resolutamente a ações e comportamentos desumanos que privam o povo cubano de seu direito à subsistência e ao desenvolvimento”. Pequim não mencionou explicitamente os EUA nas declarações.
No entanto, dias atrás, o regime chinês instou publicamente Washington a “pôr fim imediatamente ao bloqueio, às sanções e a todas as formas de medidas coercitivas contra Cuba”. Nas últimas semanas, a ditadura aliada de Xi Jinping anunciou o envio de ajuda alimentar, incluindo um carregamento de 90 mil toneladas de arroz, bem como uma linha de “assistência financeira emergencial” de US$ 80 milhões à ilha.
Em 2024, Pequim já havia concedido à ilha mais US$ 100 milhões em ajuda.
Por sua vez, a Rússia sinalizou que está preparando o envio de “ajuda humanitária” para a ilha, incluindo suprimentos de petróleo, o que pode gerar novos atritos com Washington.
Moscou suspendeu nesta semana voos para Cuba após precisarem evacuar milhares de turistas retidos em Havana devido à crise energética. A Rússia é a segunda maior fonte de turistas para Cuba, depois do Canadá, com 131 mil viajantes registrados em 2025, segundo dados oficiais.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira que não deseja uma escalada de tensões com os EUA, mas minimizou o nível atual de relações comerciais entre os países ao citar a ajuda a Cuba.
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