
Em um país onde apagões são rotina, comida é artigo de luxo e o salário médio não passa de US$ 20 por mês, a ditadura cubana anunciou na quinta-feira (2) um gesto apresentado como histórico: a libertação antecipada de mais de 2 mil presos — o maior indulto concedido pelo regime em mais de uma década.
A medida veio logo depois que o governo dos EUA aliviou o bloqueio de petróleo imposto à ilha há quase três meses, abrindo caminho para que um navio russo entregasse carregamento de combustível ao país.
O indulto foi divulgado como um “gesto humanitário e soberano”, ocorrido “no contexto das celebrações religiosas da Semana Santa”. Mas a sequência de eventos conta outra história.
Um dia antes do anúncio, o ditador Miguel Díaz-Canel admitiu que Cuba mantinha conversas com os EUA para solucionar sua crise de energia — confirmando o que Trump já dizia desde meados de janeiro.
Segundo o jornal The New York Times, os americanos sinalizaram que Díaz-Canel deve sair do poder. Nesse contexto, a libertação de presos aparece como um gesto calculado: um sinal de que o regime está disposto a ceder o suficiente para reduzir a pressão externa, mas sem qualquer mudança real no controle absoluto de Díaz-Canel sobre o país.
Apenas presos comuns
O principal problema do anúncio é o que ele esconde. O regime não divulgou a lista de beneficiados nem explicou os critérios usados — e deixou claro que presos por “crimes contra a autoridade”, categoria frequentemente aplicada a opositores, ficaram de fora.
Horas após o início das solturas, na sexta-feira (3), a ONG de direito humanos Cubalex informou que não foi possível confirmar a libertação de nenhum preso político entre os beneficiados.
Já o espanhol Javier Larrondo, presidente da ONG Prisoners Defenders, destacou que o número de detidos por motivos políticos segue em níveis recordes (mais de 1,2 mil, segundo estimativas de entidades internacionais).
“Contabilizamos dezenas e dezenas de novos presos políticos só no mês de março. E agora o regime posa de bom, de benevolente”, diz Larrondo.
Política e religião
Outro ponto controverso é o uso da tradição cristã por um regime fundado no ateísmo marxista e que, por décadas, perseguiu a Igreja. Para os críticos, o calendário religioso virou uma ferramenta política para a ditadura da ilha.
O Vaticano atua como mediador entre Cuba e os Estados Unidos, e libertações de presos costumam acompanhar esses momentos de diálogo — como já ocorreu em negociações envolvendo Miguel Díaz-Canel e o Papa Francisco.
O padrão se repete: sob pressão, o regime recorre à religião para melhorar sua imagem externa.
Bicicletas e Che Guevara
Enquanto o mundo assistia ao anúncio do indulto, dentro de Cuba outra cena acontecia — e mostrava a verdadeira face da ditadura.
O próprio Díaz-Canel participou, também na quinta-feira, da chamada “Parada Juvenil Antiimperialista Sobre Rodas”, em Havana. De bicicletas e patins, os manifestantes exibiam imagens de Che Guevara e entoavam gritos de guerra contra os EUA.
O episódio resume a contradição cubana. Para o mundo, o regime vende a imagem de uma ditadura que está abrindo espaço para o diálogo. Para os jovens cubanos, a mensagem é outra: defendam a revolução, culpem o capitalismo e continuem pedalando.
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