
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma crise com seus servidores que gira em torno de um remanejamento de cargos de confiança. Os servidores pedem por mais diálogo, processos de transição adequados e falam em “ações de caráter predominantemente midiático.”
Após a demissão da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE) emitiu uma nota, declarando que, “embora seja prerrogativa da administração substituir titulares de cargos de chefia”, a exoneração “deveria ter sido conduzida de forma mais cuidadosa, independentemente da qualificação do servidor que ocupará o cargo, com transição previamente delineada e diálogo institucional com a então coordenadora, Rebeca de Pallis.” A Gazeta do Povo entrou em contato com o sindicato e com a Presidência, e o espaço segue aberto para manifestação.
O timing também incomodou: Palis foi desligada menos de um mês antes da divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, prevista para março. “A Coordenação de Contas Nacionais encontra-se diretamente envolvida na implementação do Novo Ano Base do Sistema de Contas Nacionais, processo complexo e sensível que envolve a revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de novas bases de dados e a atualização de bases históricas. Trata-se de um sistema estruturante, responsável pela geração dos grandes agregados macroeconômicos utilizados no acompanhamento da economia do país, como o PIB, a Renda Nacional, o Investimento, a Poupança, entre outros”, complementa a nota.
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Sindicalistas entregaram envelope a deputado petista com reclamações endereçadas a Lula
No final de 2025, durante o lançamento da “Caravana Federativa”, ação de campanha do PT, representantes da entidade conseguiram interpelar o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e entregaram um envelope com denúncias de “precarização interna”, “cenário de assédio”, “perda de capacidade técnica que atinge servidores” e “enfraquecimento do papel estratégico do IBGE”. Na ocasião, o parlamentar se comprometeu a entregar o envelope ao presidente Lula (PT).
Outra preocupação da categoria é quanto à integração da “nuvem soberana”, aplicação do Serviço de Processamento de Dados (Serpro), ao tratamento dos dados. Em conversa com o deputado federal Tarcisio Mota (PSOL-RJ) e o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), representantes do sindicato disseram que a integração dos dados estatísticos à nuvem “ameaça a segurança e a integridade dos dados públicos”.

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Mudança na base de dados preocupa servidores
“O projeto de Nuvem Soberana adotado pelo Governo Brasileiro é questionado por especialistas na área de proteção cibernética, principalmente por se tratar de um conjunto de serviços prestados por Bigtechs. Além disso, o IBGE já possui um data center que roda 24 horas, 7 dias por semana, esses serviços estão online há mais de 20 anos. Outra preocupação é a dependência da terceirização na área de tecnologia. Apesar da falta de pessoal e da contratação de especialistas, o processo de produção e manutenção dos serviços, em grande medida, ocorre no IBGE. A terceirização poderá criar gargalos burocráticos e orçamentários. O que fazer se não tiver orçamento para pagar os serviços da SERPRO?”, questiona o órgão sindical.
O instituto está sob o guarda-chuva do Ministério do Planejamento e Orçamento, chefiado por Simone Tebet. O presidente é o economista Marcio Pochmann. Considerado um petista ideológico, ele foi secretário municipal de Desenvolvimento de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy, além de presidente da Fundação Perseu Abramo, think tank do PT, e presidente do Instituto Lula. A nomeação enfrentou resistência por parte da ala técnica do IBGE.
Os servidores acusam Ponchmann de “constranger e limitar a atuação legítima da entidade sindical e a liberdade de organização dos trabalhadores”, práticas consideradas “antissindicais”.
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