
Mesmo após a eclosão dos casos do Banco Master e dos descontos no benefício do INSS, a preocupação do brasileiro com a corrupção não variou de forma significativa, segundo nova pesquisa Datafolha realizada na última semana, a sete meses das eleições.
De acordo com o levantamento, saúde (21%) lidera entre os principais problemas do país citados pelos entrevistados, tecnicamente empatada com segurança (19%). A menção a corrupção (9%) só aparece depois, numericamente atrás de economia (11%) e ao lado de educação (9%).
O resultado, contudo, não deve impedir que a preocupação com o tema da moralidade na política ressoe nas estratégias dos dois principais pré-candidatos ao Planalto: o atual presidente, Lula (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ambos com tetos de vidro quando esse é o assunto.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais distribuídas em todo o Brasil. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-03715/2026.
A pesquisa foi feita antes das repercussões de reportagem do jornal O Globo sobre mensagens de WhatsApp trocadas entre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro, no dia de sua prisão.
Além da intenção de voto e da avaliação de governo, os entrevistados responderam à pergunta: “Considerando as áreas que são de responsabilidade do governo federal, na sua opinião qual é o principal problema do país hoje?”, em resposta única e espontânea.
Em setembro de 2023, corrupção, roubalheira ou desonestidade foram apontados por 6% como principal problema do Brasil. O número para a categoria variou sempre dentro da margem de erro desde então, oscilando desses mesmos 6% aos 9% deste mês de março.
O dado sugere que não houve até o momento impacto significativo na percepção sobre o assunto após revelações do escândalo do Master envolvendo uma fraude estimada em R$ 12 bilhões e do caso de desvios de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS.
Diretora-geral do Datafolha, Luciana Chong diz que saúde costuma prevalecer entre as menções sobre principais problemas do país. Mais recentemente, ao menos no governo Lula 3, a pauta da segurança também passou a ganhar força entre as preocupações.
“É interessante ver como isso se reflete ao longo do tempo”, afirma Chong. “A corrupção foi um evento importante no governo Dilma, mas agora não se impõe em relação a esses dois problemas. (…) Na época do Bolsonaro, por exemplo, a saúde tinha índice até maiores.”
No primeiro governo Dilma Rousseff, a corrupção oscilou de 3% a 14%, sempre bem atrás de saúde, que ostentava índice desde 31% até 48%. No segundo mandato, em meio à Lava Jato, a preocupação com corrupção virou o problema mais citado do país, batendo 34% e 37%.
Na gestão Michel Temer, o percentual relacionado à corrupção começa a cair. O número vai de 32% em meados de 2016 para 20% ao final de 2018. Já no governo Jair Bolsonaro o patamar se estabiliza em um dígito, variando de 3%, na mínima, a 9%, na máxima.
O resultado também tem a ver com perfil. A preocupação com corrupção é menor na faixa de eleitores que ganham até dois salários mínimos (6%). Quem declara voto em Lula também registra percentual abaixo da média (4%) e daqueles com voto declarado em Flávio (14%).
Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, afirma que, em perguntas espontâneas, os entrevistados recorrem ao “top of mind” e não têm oportunidade de cotejar as diferentes áreas. Como a resposta é única, corrupção pode acabar em segundo plano.
Além disso, acrescenta, apesar do repique recente, a crise do INSS estourou há mais tempo, e é possível que o caso Master seja entendido pela maioria da população como um escândalo de fraude financeira nos moldes do da Lojas Americanas, e não como um mensalão.
O professor da FGV Marco Antônio Teixeira diz que o fato de não haver um grupo político especificamente implicado também pode influir, mas isso não significa que o governo não possa pagar a conta mais para frente. “Em ano eleitoral a caixa de ressonância é sempre mais forte.”
A extensão do caso Master ainda não está clara, mas há um entendimento de que as investigações podem atingir da direita à esquerda. Já o do INSS, embora transversal, pode recair mais sobre Lula, em especial pela quebra dos sigilos do filho do presidente.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, quebrou os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para apurar uma suposta relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Já do lado Flávio, pode pesar o caso da “rachadinha”. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o rescaldo das investigações é uma das principais preocupações de aliados do senador. Embora arquivadas em 2021, elas deixaram questões em aberto sobre a movimentação financeira do filho do ex-presidente.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirma ser difícil cravar quem será o mais impactado, o que vai depender do que ainda vier à tona, mas afirma ser possível dizer que a corrupção deve figurar entre os principais temas da eleição deste ano, possivelmente o mais relevante.
De acordo com Roman, com desdobramentos a cada dia dos casos Master e INSS, a corrupção é o assunto do momento, e, para ele, é seguro afirmar que o volume de notícias nos próximos meses tende a influenciar o cálculo político dos candidatos.
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