
O Banco Central Europeu (BCE) revelou neste sábado (14) planos para ampliar o acesso ao seu mecanismo de apoio à liquidez do euro, tornando-o disponível globalmente e permanente, numa tentativa de fortalecer o papel internacional da moeda.
O acesso a essas linhas de recompensa, uma fonte crucial de financiamento em momentos de tensão no mercado, tem sido limitado a apenas alguns países, principalmente da Europa Oriental, mas a presidente do BCE, Christine Lagarde, há muito tempo vê o mecanismo como uma ferramenta para aplicações no alcance global do euro.
“O BCE precisa estar preparado para um ambiente mais volátil”, disse Lagarde na Conferência de Segurança de Munique, a primeira vez que um presidente do BCE discursou no evento.
“Devemos evitar uma situação em que essa tensão provoque vendas precipitadas de títulos denominados em euros nos mercados de financiamento globais, o que poderia prejudicar a transmissão da nossa política monetária”, afirmou ao anunciar a nova facilidade.
O mecanismo, que estará disponível a partir do terceiro trimestre de 2026, estará aberto a todos os bancos centrais do mundo, desde que não sejam excluídos por motivos de confiança, como lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou avaliações internacionais, afirmou o BCE.
“Esta facilidade também reforça o papel do euro”, disse Lagarde. “A disponibilidade de um credor de última instância para os bancos centrais em todo o mundo aumenta a confiança para investir, tomar empréstimos e negociar em euros, sabendo que o acesso estará disponível durante as perturbações do mercado.”
Utilizada quando os bancos não conseguem obter financiamento no mercado, a linha de recompra permite que os credores tomem empréstimos em euros do BCE contra garantias de alta qualidade, a serem reembolsados no vencimento juntamente com os juros.
Ao contrário das linhas anteriores, que provavelmente serão prorrogadas de tempos em tempos, a nova operação fornecerá acesso permanente para até 50 bilhões de euros.
Com os investidores reavaliando o status do dólar devido à natureza imprevisível da política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lagarde argumentou que este era o momento para o euro ganhar participação no mercado, o que gerou uma arquitetura financeira e econômica renovada.
O Federal Reserve (Fed), dos EUA, mantém uma ferramenta semelhante, chamada FIMA Repo Facility, que essencialmente protege o mercado do Tesouro, uma vez que, de outra forma, o poderia ser feito para forçar os credores a vender títulos de governo abaixo do valor de mercado.
“Essas mudanças visam tornar a facilidade mais flexível, mais ampla em termos de alcance geográfico e mais relevante para os detentores globais de títulos em euros”, afirmou o BCE em comunicado.
Esse acesso garantido ao euro poderia naturalmente aumentar a demanda por ativos denominados em euros e incentivos aos bancos fora da zona do euro, compostos por 21 países, a compra de ativos do bloco.
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