
Quando Loïc Soubeyrand, fundador e CEO da francesa Swile, empresa de benefícios corporativos, decidiu expandir seu negócio para outros mercados ele abriu mão dos caminhos mais óbvios, como ir para países vizinhos ou para os Estados Unidos, e apostou no Brasil. A decisão tem se mostrado acertada. O país já responde por 20% do volume global da Swile e por 35% do crescimento da companhia. “A meta é fazer do Brasil nosso primeiro país até 2030”, afirmou Soubeyrand em entrevista ao Valor.
Para alcançar esse objetivo, a empresa projeta investir R$ 600 milhões em crescimento orgânico no Brasil ao longo dos próximos cinco anos, recursos que virão do caixa próprio. Em 2025, a Swile gerou globalmente cerca de 50 milhões de euros em lucro, o equivalente a aproximadamente R$ 300 milhões. A operação brasileira se tornou lucrativa em novembro do ano passado e alcançou 1 milhão de usuários recentemente.
A estratégia também passa por ampliar a gama de serviços, indo além dos benefícios tradicionais de vale-refeição e vale-alimentação — que são a principal fonte de receita no negócio. Soubeyrand fala de ser “a carteira completa do funcionário”. O primeiro passo deve acontecer ainda em 2026, com o lançamento do Swile Expense no país, solução voltada ao controle de gastos profissionais do dia a dia. O produto de gestão de viagens, o Swile Travel, também deve chegar ao país, embora sem prazo definido. Ambos os serviços já funcionam na França.
Segundo Soubeyrand, a Swile não descarta aquisições no país, mas deixa claro que não está atrás de startups pequenas. “Se fizermos algo, será grande”, afirmou o CEO. “Temos os meios para realizar nossa ambição”, complementou. Questionado sobre o orçamento para esse tipo de operação, o executivo disse que vai depender das oportunidades que aparecerem.
Ao mesmo tempo em que acelera sua expansão, o comando local passará por mudanças. O atual diretor-geral da operação brasileira, Julio Brito, passará gradualmente a atuar como conselheiro estratégico. Ele seguirá no cargo até a chegada de um sucessor, que ainda não foi definido.
O avanço da Swile no Brasil ocorre em meio a transformações regulatórias no mercado de benefícios no país. O decreto assinado pelo governo federal no fim de 2024 estabeleceu um teto de 3,6% para a taxa cobrada dos restaurantes pelas operadoras de benefícios (MDR) e de 2% para a alíquota de intercâmbio, paga pelo banco adquirente ao emissor do cartão do cliente. A medida também reduziu o prazo de repasse do valor do benefício aos estabelecimentos de 30 para 15 dias. O prazo para essas mudanças começou a valer em 9 de fevereiro.
A norma determinou ainda a abertura de arranjos de pagamento para sistemas que atendem mais de 500 mil trabalhadores. Nessa modalidade, os cartões de benefícios são vinculados a bandeiras de cartão ou de débito, permitindo o uso em qualquer maquininha. Essa alteração começa a vigorar a partir de maio. A interoperabilidade entre arranjos, que permite que os cartões de qualquer facilitadora sejam aceitos nos estabelecimento de alimentação, também está prevista no decreto, embora sua implementação ainda não esteja clara.
Após a assinatura do documento, as quatro incumbentes do setor — Ticket, Pluxee, Alelo e VR — moveram ações individuais na Justiça alegando excesso de poder regulamentar por parte da União, pois segundo elas, um decreto não poderia alterar os termos da lei, além de intervenção do Estado na dinâmica do livre mercado. Em um primeiro momento, elas obtiveram liminares que as protegiam de descumprir total ou parcialmente as medidas. Mas, em fevereiro, a 3ª turma do TRF derrubou as liminares, obrigando as empresas a seguirem as novas regras.
Na Swile, que desde o início foi favorável às mudanças, a nova regulação é vista como uma oportunidade. “A mudança é positiva porque o mercado estava travado, especialmente nas grandes contas, há algum tempo”, disse Soubeyrand. Para o CEO, as grandes empresas, que antes escolhiam seus fornecedores de benefícios quase que exclusivamente pelos vantagens financeiras oferecidas (rebates), passarão a priorizar a proposta de valor.
Questionado sobre o impacto das eleições presidenciais de 2026 nos planos da empresa, Soubeyrand demonstrou tranquilidade. Para ele, a discussão regulatória já está suficientemente madura para resistir a uma eventual mudança de governo. “Independentemente de quem será o próximo presidente, não há razão para não seguirmos em frente”, afirmou.
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