
Um dos alvos da Polícia Federal (PF) na Operação Zona Cinzenta, deflagrada na manhã desta sexta-feira (6), Jocildo Silva Lemos, foi indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para o cargo de diretor-presidente da Amprev (Amapá Previdência) e tem relação com o parlamentar. Jocildo foi tesoureiro das campanhas de Alcolumbre ao Senado em 2022 e ao governo do Amapá em 2018.
A PF investiga possíveis irregularidades no aporte de R$ 400 milhões da Amprev, dos servidores públicos do Amapá, em títulos emitidos pelo Banco Master.
Na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lemos aparece como o administrador financeiro da segunda disputa de Alcolumbre ao Senado, em 2022, e da campanha dele ao governo do Estado em 2018. Alcolumbre venceu o pleito de 2022, depois de perder a eleição para o comando do Executivo estadual quatro anos antes para Waldez Góes, atual ministro da Integração e Desenvolvimento Regional.
O alvo da PF também foi indicado pelo presidente do Senado à presidência da Amprev em 2023. No ano de 2024, Jocildo afirmou publicamente que foi nomeado ao cargo por Alcolumbre.
“No ano de 2023, seguindo uma política austera, conservadora e sobre tudo com a consciência que nós iríamos entregar resultados. Resultado para aquele que confiaram na gente. E aqui eu faço um agradecimento especial ao governador Clécio Luis, que fez a nomeação, e sobretudo ao senador Davi Alcolumbre, que me convidou para ser o presidente da Amapá Previdência”, disse o presidente da Amprev.
Jocildo é, ainda, membro do diretório estadual do União Brasil no Amapá. A informação consta no site do partido.
Procurado, Alcolumbre afirmou em nota que confia “nas instituições e na Justiça brasileira” e que espera que, concluídas as investigações, os culpados sejam punidos.
“O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, reafirma sua total confiança nas instituições e na Justiça brasileira. Defende que tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal. O senador espera que, ao final das apurações, os verdadeiros culpados sejam punidos, na forma da lei”, diz a nota.
Além do presidente da Amprev, dois integrantes do fundo, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, também são alvos da PF. Como mostrou o Valor, eles teriam votado de forma favorável à aplicação em letras financeiras do Banco Master em três reuniões ocorridas nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2025.
Desde a volta dos trabalhos do Congresso no dia 2 de fevereiro, Alcolumbre não se manifestou publicamente sobre o escândalo das fraudes no Banco Master. A senadores que falam com ele sobre o tema, ele tem adiado para depois do Carnaval a tomada de decisão sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o assunto.
Nos bastidores, tanto o presidente do Senado quanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resistem à instalação de colegiados investigativos para tratar do tema, especialmente com a proximidade do período eleitoral no fim de 2026.
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