
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira que pretende ir a Washington, capital dos Estados Unidos, no início de março, para ter uma conversa “olho no olho” com o seu par americano, Donald Trump.
Diante disso, Lula voltou a sinalizar que o Brasil está disposto a “negociar” a exploração de minerais críticos e terras raras. O único tema vetado, afirmou o presidente, é a soberania do Estado brasileiro.
“Possivelmente, eu irei a Washington na primeira semana de março para me reunir com Trump. Quero ter uma conversa olho no olho com o Trump]. Temos que ver os problemas que afligem os EUA, os problemas que afligem o Brasil e vamos trabalhar juntos. Não tem tema proibido, a única coisa que não discuto é a soberania brasileira. Podemos discutir terras raras, minerais críticos”, disse o presidente, durante entrevista ao portal UOL.
Lula acertou a visita aos Estados Unidos durante o último telefonema para Trump, que aconteceu no fim de janeiro. Será a primeira vez que Lula irá ao território americano desde que Trump assumiu o mandato presidencial.
A intenção do governo brasileiro de realizar uma visita ao presidente americano se deve ao fato de que a gestão petista deseja algum tipo de resposta dos americanos em relação à ideia brasileira de cooperação na área de combate ao crime organizado — isso, é claro, para além do fato de que as tarifas impostas por Trump continuam incidindo sobre parte dos produtos brasileiros exportados.
Como mostrou o Valor há algum tempo, a insistência por uma parceria na área de segurança não é à toa. A “dobradinha” é considerada estratégica para a campanha à reeleição de Lula. Isso porque o governo brasileiro espera desmontar a narrativa de governadores de direita de que o Palácio do Planalto é negligente no combate à criminalidade.
Apesar da ansiedade do Planalto, os americanos ainda não selaram o acordo em questão. Ainda assim, a expectativa é que as negociações continuem até março, quando Lula deve viajar até Washigton.
Na mesma entrevista, Lula citou, por exemplo, que pretende levar, em sua comitiva, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Durante a entrevista, Lula disse que seu governo não tem como “preocupação principal” garantir a volta de Nicolás Maduro à Venezuela. Segundo ele, em vez disso, o Executivo brasileiro quer “fortalecer a democracia” no país vizinho.
Por conta dessa situação, Lula contou ter pedido ao presidente dos EUA que “deixe os venezuelanos” resolverem os problemas deles.
“A preocupação principal não é [a volta do Maduro à Venezuela], a preocupação principal é sobre possibilidade de fortalecer a democracia na Venezuela. Estamos pedindo a Trump que América do Sul é zona de paz. Eu disse a Trump que quem vai resolver problema da Venezuela são os venezuelanos. Falei a Trump para permitir que venezuelanos resolvam os problemas deles. Permita que os venezuelanos resolvam os problemas deles”, afirmou Lula, durante entrevista ao portal “UOL”.
A afirmação tem como pano de fundo o fato de que, recentemente, Trump interviu no regime venezuelano e sequestrou Maduro, que está preso desde então no território americano. Sobre isso, Lula contou também que os países da América Latina precisam “trabalhar conjuntamente” para não voltarem a ser explorados como colônia.
“Ou nós, latino-americanos, criamos instituições fortes entre nós para trabalhar conjuntamente ou estamos fadados a um século de pobreza e esquecimento. Precisamos descolonizar a América Latina”, acrescentou o petista.
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