
Um rápido olhar sobre o mundo atual aponta que questões como os avanços da tecnologia, o surgimento da inteligência artificial, o aumento da longevidade, a diminuição da natalidade e o surgimento de novos modelos de família, merecem reflexões profundas.
Uma das consequências destes fenômenos, que já vem sendo constatada, é o aumento da solidão em decorrência do isolamento social.
Há um crescimento dos índices de suicídio nas mais diferentes etapas da vida, sobretudo entre as pessoas idosas. Muitos chegam à velhice dependentes do cuidado familiar para sua sobrevivência social e financeira, enquanto as famílias, por sua vez, nem sempre dispõem de recursos para absorver os custos que essa fase da vida pode representar.
O panorama global revela que, mesmo em contextos culturais diferentes, a ausência de suporte emocional, comunitário e público transforma o envelhecimento em uma experiência de crescente invisibilidade e desamparo.
Até no Japão, país conhecido histórica e culturalmente pelo profundo respeito às pessoas idosas, observa-se, sobretudo nos grandes centros urbanos, a ampliação de uma prática antiga conhecida como kodokushi (“morte solitária”), em que os idosos são levados para as montanhas e abandonados com o devido consentimento, tanto da família como do próprio indivíduo.
Na Coréia do Sul, Estados Unidos e França, fatores como solidão, pobreza e doença mental, elevam o índice de suicídio entre os mais velhos, revelando uma crise de pertencimento e suporte emocional.
Esse aumento do isolamento tem também como causa a própria violência dos grandes centros e o acesso aos recursos tecnológicos para substituir encontros pessoais. Isso vem sendo constatado também entre adolescentes, adultos e pessoas na meia-idade.
A chamada “explosão” dos casos de solidão, depressão e suicídio nas últimas décadas pode ser explicada a por uma série de fatores como: a urbanização acelerada, o encolhimento das famílias tradicionais, o culto à juventude e a precarização dos sistemas de suporte social. No caso das pessoas idosas, a preferência pelo isolamento visa, em alguns casos, não se tornar um fardo para seus filhos ou evitar o estigma de dependência. Nesse contexto, a solidão deixa de ser apenas uma condição emocional para se tornar uma sentença social.
Como lembra um antigo provérbio: “quando a vida se torna apenas a espera pela morte, até o silêncio pode se tornar insuportável.”
Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria.
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