
Ministério Público do Trabalho aponta denúncias de pressão sobre servidores para participar de campanhas eleitorais de 2026. Caso levanta questionamentos sobre a utilização da estrutura municipal e possíveis responsabilidades de gestores públicos.
Por BelfordRoxo24h | 9 de outubro de 2026
A Prefeitura do Rio de Janeiro é alvo de uma Ação Civil Pública por assédio eleitoral, ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ) após o recebimento de denúncias envolvendo trabalhadores da administração municipal. A medida foi anunciada oficialmente em 2 de outubro de 2026.
Segundo o Ministério Público, funcionários vinculados à Prefeitura teriam sido pressionados a participar de reuniões e atividades relacionadas às campanhas eleitorais, inclusive durante o expediente e por meio de grupos de WhatsApp.
O caso envolve o Município do Rio de Janeiro, atualmente administrado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que assumiu o cargo em março, após a saída de Eduardo Paes para disputar o Governo do Estado.
A ação judicial coloca em discussão a liberdade política dos trabalhadores, a responsabilidade da administração pública e a possibilidade de utilização irregular da estrutura municipal durante o período eleitoral.
O QUE ACONTECIA DENTRO DA PREFEITURA, SEGUNDO AS DENÚNCIAS?
Os relatos apresentados ao Ministério Público do Trabalho descrevem situações de possível coação eleitoral envolvendo servidores públicos, empregados públicos, trabalhadores temporários e terceirizados.
Entre as práticas denunciadas estão:
- Pressão para participar de reuniões eleitorais: funcionários teriam sido convocados a comparecer a encontros relacionados a campanhas políticas.
- Atividades durante o expediente: trabalhadores teriam sido pressionados a participar de compromissos eleitorais no horário de trabalho.
- Convocações fora do expediente: a pressão também teria ocorrido durante períodos destinados ao descanso dos funcionários.
- Mensagens pelo WhatsApp: grupos do aplicativo teriam sido utilizados para abordar trabalhadores sobre atividades de campanha.
- Possíveis represálias: os relatos indicam que funcionários poderiam sofrer consequências caso se recusassem a participar.
O elemento central das denúncias é a possível utilização de relações de subordinação profissional para constranger trabalhadores a participar de atividades políticas.
Caso comprovadas, essas condutas podem caracterizar assédio eleitoral nas relações de trabalho.
EDUARDO CAVALIERE ASSUMIU A PREFEITURA EM MARÇO
O prefeito Eduardo Cavaliere assumiu o comando do Executivo municipal em 20 de março de 2026, após a renúncia de Eduardo Paes.
Como atual chefe da administração municipal, Cavaliere é responsável por assegurar que a Prefeitura cumpra eventuais determinações judiciais relacionadas ao caso.
Entretanto, existe uma distinção jurídica importante: a Ação Civil Pública foi anunciada contra o Município do Rio de Janeiro, e não pessoalmente contra Eduardo Cavaliere ou Eduardo Paes.
O comunicado público do Ministério Público não apresenta elementos que permitam atribuir diretamente ao atual prefeito a determinação ou a execução das condutas denunciadas.
A eventual responsabilização individual dependerá da identificação dos agentes envolvidos, das provas e das circunstâncias de cada episódio.
MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE MEDIDAS URGENTES À JUSTIÇA
Diante dos relatos, o Ministério Público do Trabalho solicitou à Justiça do Trabalho medidas urgentes para impedir práticas de assédio eleitoral contra trabalhadores municipais.
O objetivo é garantir que servidores e demais funcionários possam exercer seus direitos políticos sem sofrer ameaças, pressões ou constrangimentos decorrentes de suas relações profissionais.
Uma eventual decisão favorável ao pedido poderá impor obrigações ao Município para prevenir novas práticas e assegurar a liberdade política dos trabalhadores.
Até a conclusão desta reportagem, o BelfordRoxo24h não havia obtido o número da Ação Civil Pública nem confirmado uma decisão judicial sobre o pedido de liminar.
A ausência dessas informações impede afirmar se a Justiça já determinou medidas específicas contra a Prefeitura.
QUAIS SECRETARIAS MUNICIPAIS FORAM CITADAS?
Uma das principais questões ainda sem esclarecimento é a identificação dos órgãos municipais relacionados às denúncias.
O comunicado oficial do MPT não informa quais secretarias teriam registrado episódios de pressão eleitoral, quem teria realizado as convocações ou quais campanhas poderiam ter sido beneficiadas.
Também não foi divulgada a quantidade exata de denúncias recebidas especificamente contra a administração municipal do Rio de Janeiro.
O levantamento estadual do MPT contabilizou 93 denúncias de assédio eleitoral em todo o estado do Rio de Janeiro até 4 de outubro de 2026.
Esse número abrange diferentes municípios e ambientes de trabalho, não podendo ser atribuído exclusivamente à Prefeitura da capital.
A identificação das secretarias, dos responsáveis pelas convocações e das circunstâncias dos relatos será fundamental para dimensionar as possíveis irregularidades.
ASSÉDIO ELEITORAL PODE RESULTAR NA CASSAÇÃO DE MANDATO?
A existência de denúncias de assédio eleitoral não provoca automaticamente a perda de um mandato político.
A legislação brasileira prevê instrumentos para investigar abuso de poder político e outras irregularidades eleitorais. Entretanto, a responsabilização exige provas, identificação das condutas e observância dos requisitos legais.
A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), prevista no artigo 14, § 10, da Constituição Federal, deve ser apresentada no prazo de 15 dias após a diplomação.
Como o mandato municipal atualmente exercido por Eduardo Cavaliere decorre da eleição de 2024, o prazo para propor uma nova AIME referente àquele pleito já terminou.
Portanto, as denúncias relacionadas às eleições de 2026 não constituem, por si só, fundamento para cassar o mandato municipal de 2024.
Isso não impede a apuração de eventuais irregularidades de 2026 e a responsabilização dos agentes envolvidos, caso sejam identificadas provas suficientes e exista fundamento legal.
GESTÃO MUNICIPAL DEVERÁ CUMPRIR EVENTUAIS DETERMINAÇÕES
Independentemente da identificação de responsabilidades individuais, o Município do Rio de Janeiro deverá cumprir as decisões judiciais que venham a ser proferidas na ação.
Na condição de prefeito, Eduardo Cavaliere é o chefe da administração responsável pela adoção das providências administrativas necessárias ao cumprimento dessas determinações.
As medidas poderão envolver orientações às secretarias, prevenção de constrangimentos políticos e mecanismos de proteção aos trabalhadores, conforme o que for efetivamente decidido pela Justiça.
O ajuizamento da ação, entretanto, não representa uma condenação antecipada da Prefeitura ou de seus gestores.
CASO AINDA TEM PERGUNTAS SEM RESPOSTA
A ação do Ministério Público do Trabalho trouxe à discussão denúncias de pressão política sobre trabalhadores municipais, mas informações importantes ainda não foram divulgadas publicamente.
Entre elas estão a quantidade de denúncias contra a Prefeitura, a identificação dos órgãos envolvidos, os responsáveis pelas possíveis convocações e a existência de provas documentais.
Também permanece necessário esclarecer quais candidaturas eram mencionadas nas atividades eleitorais denunciadas.
O BelfordRoxo24h continuará acompanhando o caso e buscando informações sobre o andamento judicial e eventuais medidas adotadas pelas autoridades.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura do Rio de Janeiro, do prefeito Eduardo Cavaliere e dos demais envolvidos que venham a ser identificados.
BelfordRoxo24h — Aqui a informação nunca para.







