
Protestos contra a crise da habitação tomaram cerca de 50 cidades da Espanha neste sábado (3) e aumentaram a pressão sobre o governo socialista do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que avalia antecipar as eleições gerais previstas para 2027. A nova crise ocorre depois de o premiê sofrer uma derrota no Parlamento nesta sexta-feira (2), quando deputados derrubaram dois decretos apresentados pelo governo para enfrentar os problemas de acesso à moradia.
Em Madri, milhares de pessoas foram às ruas para cobrar medidas contra o aumento dos aluguéis e os despejos. Dados oficiais apontaram cerca de 70 mil participantes na capital, enquanto os organizadores apresentaram uma estimativa muito maior, de aproximadamente 500 mil pessoas.
Também foram convocadas manifestações em cidades como Barcelona, Valência, Sevilha, Málaga e Bilbao. Em Madri, houve confrontos entre manifestantes e policiais durante os atos.
A mobilização ocorre em meio a uma crise habitacional que se tornou um dos principais problemas políticos do governo Sánchez. Os preços dos imóveis e dos aluguéis aumentaram nos últimos anos, principalmente nas grandes cidades e regiões turísticas, enquanto movimentos de inquilinos passaram a cobrar medidas mais duras do governo sobre a questão.
A pressão nas ruas aumentou depois que o governo sofreu uma derrota no Congresso dos Deputados nesta sexta-feira. Parlamentares rejeitaram dois decretos relacionados à habitação apresentados pelo Executivo. O primeiro reunia medidas como proteção contra despejos de famílias vulneráveis até 2030, prorrogação de contratos de aluguel, limites para reajustes e novas regras para aluguéis por temporada e de quartos. O texto foi derrubado por 178 votos a 172.
O segundo decreto previa, entre outras medidas, a renovação automática de contratos de aluguel. A proposta também foi rejeitada, desta vez por 184 votos a 166.
Além do Partido Popular (PP), de centro-direita, e do Vox, de direita, ambos da oposição, o Junts, partido separatista catalão que tem sido decisivo para o governo Sánchez conseguir aprovar projetos no Parlamento, também votou contra o governo.
A derrota voltou a expor as dificuldades do premiê para formar maioria no Congresso. Sánchez permaneceu no poder após as eleições de 2023 por meio de um acordo com partidos de esquerda e legendas regionais e separatistas, mas seu governo não possui maioria própria no Parlamento.
Sánchez avalia antecipar eleições
Diante da nova crise, Sánchez passou a avaliar a possibilidade de antecipar as eleições gerais, atualmente previstas para 2027. Segundo a imprensa espanhola, o primeiro-ministro reservou este fim de semana para analisar a situação política antes de decidir se tenta seguir no cargo com a atual composição do Parlamento ou convoca os espanhóis às urnas antes do previsto.
Até este sábado, porém, Sánchez ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre a antecipação da votação.
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, principal nome da oposição, voltou a defender a realização de novas eleições diante das dificuldades do governo para conseguir maioria parlamentar.
A pressão sobre Sánchez também parte de movimentos ligados à esquerda. Organizações que participaram dos protestos deste sábado acusam o governo de não ter conseguido conter a alta dos aluguéis e impedir despejos apesar das medidas adotadas nos últimos anos.
A atual legislatura pode, em princípio, continuar até 2027. A Constituição espanhola, porém, permite que o presidente do governo proponha ao rei a dissolução antecipada do Parlamento e a convocação de novas eleições.
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