
Registros feitos no Centro do Rio mostram confrontos envolvendo vendedores ambulantes e agentes municipais durante administrações de Eduardo Paes. Agora candidato ao Governo do Estado, o ex-prefeito volta a ter esse histórico discutido em meio à eleição de 2026.
RIO DE JANEIRO — Quem circula pelo Centro do Rio provavelmente já presenciou alguma operação envolvendo vendedores ambulantes, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) ou integrantes da Guarda Municipal.
Durante diferentes administrações de Eduardo Paes (PSD), fiscalizações, apreensões de mercadorias, manifestações e confrontos colocaram a política de ordenamento urbano no centro de discussões sobre o comércio informal na capital.
Agora, o assunto ganha um novo contexto.
Paes deixou a Prefeitura em 20 de março de 2026 e sua candidatura ao Governo do Estado do Rio de Janeiro foi oficializada pelo PSD em 20 de julho.
Com a eleição estadual em andamento, acontecimentos registrados durante sua passagem pelo comando da capital voltam a ser observados como parte de seu histórico administrativo.
Choque de Ordem começou ainda em 2009
Logo no início da primeira administração Paes, a Prefeitura colocou em prática a política conhecida como Choque de Ordem.
A primeira ação foi deflagrada em 5 de janeiro de 2009. A política de ordenamento incluiu operações contra comércio não autorizado e outras formas de ocupação irregular de espaços públicos.
Com o passar dos anos, ações envolvendo ambulantes se tornaram recorrentes e alguns episódios terminaram em confronto.
Ambulantes denunciaram agressões no Buraco do Lume
Em 2013, quatro ambulantes procuraram a 4ª DP e relataram agressões durante uma ação da Guarda Municipal no Buraco do Lume, no Centro do Rio.
A Guarda Municipal apresentou uma versão diferente. Segundo o órgão, agentes foram hostilizados e apedrejados por camelôs que comercializavam produtos irregularmente.
Um guarda sofreu ferimento na cabeça e foi encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Foram feitos registros envolvendo lesão corporal, ameaça e desacato.
O episódio já revelava uma característica que apareceria novamente anos depois: trabalhadores denunciando excesso na fiscalização e órgãos municipais afirmando que seus agentes enfrentaram resistência ou agressões.
Um dos registros de maior repercussão ocorreu em 1º de setembro de 2023, no Largo da Carioca, Centro do Rio.
Uma fiscalização do comércio informal terminou em confronto envolvendo ambulantes e agentes da Guarda Municipal.
Imagens daquele dia registraram bombas de gás e disparos de balas de borracha, enquanto pedras e pedaços de madeira também foram arremessados contra os agentes.
Segundo reportagem publicada na época, lojas fecharam as portas durante a confusão. A Seop informou que o confronto começou após fiscais recolherem mercadorias de um ambulante.
As imagens mostram a dimensão que uma operação de fiscalização ganhou em uma das regiões mais movimentadas do Centro do Rio.
Dois anos depois, o Largo da Carioca voltou às manchetes.
Em 11 de abril de 2025, imagens divulgadas nas redes sociais mostraram guardas municipais atingindo um ambulante com cassetetes durante uma abordagem. Os registros mostram golpes inclusive quando o homem estava caído.
Segundo a Seop, o trabalhador havia retornado depois de ser retirado do local, teria xingado agentes e lançado um objeto contra a equipe.
O órgão afirmou que houve resistência à prisão e que seria necessário analisar as imagens das câmeras de segurança para avaliar a conduta dos agentes. O ambulante foi encaminhado à delegacia por desacato e resistência.
O registro voltou a colocar em discussão os limites da atuação dos agentes públicos durante ações de fiscalização do comércio informal.
Paes deixou a Prefeitura em março
Um ponto importante na análise desse histórico é a cronologia.
Eduardo Paes deixou a Prefeitura do Rio em 20 de março de 2026, quando Eduardo Cavaliere assumiu o comando definitivo do município.
Por esse motivo, esta matéria concentra os dois vídeos principais em fatos ocorridos em 2023 e 2025, período no qual Paes ainda exercia o cargo de prefeito.
Ocorrências envolvendo ambulantes registradas depois da mudança de comando municipal não estão sendo atribuídas nesta reportagem à administração Paes.
Histórico ganha novo peso no debate eleitoral
A candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Rio foi oficializada pelo PSD em 20 de julho de 2026, tendo Jane Reis (MDB) como candidata a vice.
A partir daí, políticas e acontecimentos ligados aos períodos em que Paes comandou a capital passaram a integrar naturalmente o debate sobre seu histórico administrativo.
No caso dos ambulantes, as imagens mostram episódios concretos ocorridos durante suas gestões.
Isso não significa que todos os conflitos tenham uma única versão.
Em alguns casos, trabalhadores denunciaram agressões ou excesso na abordagem. Em outros, os órgãos municipais disseram que seus agentes foram atacados, enfrentaram resistência ou atuaram diante de comércio realizado sem autorização.
E qual será a política para quem trabalha nas ruas?
Além das imagens de confronto, existe uma questão que permanece no debate público: a situação de quem depende do comércio informal para trabalhar e obter renda.
Regularização, licenciamento, fiscalização, apreensão de mercadorias e atuação dos agentes públicos são pontos que atingem diretamente milhares de trabalhadores no Rio.
Com Eduardo Paes disputando o Governo do Estado em 2026, o histórico registrado durante suas administrações municipais também abre espaço para uma pergunta aos candidatos:
Quais são as propostas para os trabalhadores informais do Estado do Rio e como conciliar fiscalização, ordenamento urbano e o direito ao trabalho?
Os dois vídeos reunidos pelo BelfordRoxo24h ajudam a recuperar parte dessa história e mostram por que o assunto continua presente no debate público carioca.
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