
Documento dos Estados Unidos cobra medidas urgentes contra as duas organizações e associa os grupos ao tráfico internacional de cocaína
O Comando Vermelho (CV), facção com forte atuação no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram citados em uma determinação presidencial dos Estados Unidos divulgada nesta quarta-feira (16).
No documento, o presidente americano Donald Trump acusa o governo brasileiro de falhar no enfrentamento às duas organizações criminosas e cobra medidas mais firmes para impedir o avanço dos grupos.
A determinação foi encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos na terça-feira (15) e faz parte da avaliação americana sobre o combate internacional ao tráfico de drogas referente ao ano fiscal de 2027.
Segundo a administração Trump, o governo brasileiro “falhou em confrontar” o Comando Vermelho e o PCC. O documento afirma ainda que as duas organizações contribuíram para transformar o Brasil em um importante ponto de passagem dos fluxos internacionais de cocaína.
A afirmação representa a posição oficial do governo americano sobre a atuação das facções e a resposta brasileira ao crime organizado.
Comando Vermelho coloca o Rio no centro do debate
A menção ao Comando Vermelho chama atenção especialmente no Rio de Janeiro, onde a facção mantém presença histórica e é alvo frequente de operações das forças de segurança.
Na capital, na Baixada Fluminense e em outras regiões do estado, ações policiais contra integrantes do grupo fazem parte da rotina do combate ao tráfico de drogas e à disputa territorial entre organizações criminosas.
A cobrança feita por Trump, entretanto, é direcionada ao governo brasileiro. O documento não responsabiliza especificamente o Governo do Estado do Rio de Janeiro ou as prefeituras fluminenses.
Estados Unidos cobram medidas urgentes
Na avaliação americana, as organizações criminosas brasileiras representam uma ameaça crescente para a segurança internacional.
O governo dos Estados Unidos defende que o Brasil adote medidas mais duras para combater e enfraquecer as facções antes que elas ampliem ainda mais suas atividades dentro e fora do país.
A declaração aumenta a pressão diplomática sobre o Brasil em um tema que envolve segurança pública, tráfico internacional de drogas e cooperação entre países.
Brasil ficou fora das principais listas formais
Apesar da forte crítica, o Brasil não foi incluído na lista dos 23 países classificados pelos Estados Unidos como grandes produtores ou importantes territórios de trânsito de drogas ilícitas.
O país também não entrou na relação separada dos governos considerados pelo documento como tendo falhado de maneira demonstrável no cumprimento de suas obrigações internacionais de combate às drogas.
Essa classificação foi aplicada a Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.
Ou seja: existe uma crítica direta ao governo brasileiro, mas ela não significa que o Brasil tenha sido enquadrado nessas duas categorias formais do relatório.
CV e PCC já haviam sido classificados pelos EUA
A pressão americana contra as facções brasileiras não começou agora.
Em junho de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou atos oficiais envolvendo o Comando Vermelho e o PCC. Documentos no Federal Register identificaram os dois grupos dentro da política americana de combate a organizações associadas ao terrorismo internacional.
A decisão ampliou as possíveis consequências internacionais para integrantes, financiadores e estruturas relacionadas às organizações.
Agora, com a nova manifestação de Trump, o governo americano direciona também uma cobrança pública ao Brasil sobre a capacidade de enfrentar a expansão dessas facções.
Para o Rio de Janeiro, onde o Comando Vermelho ocupa posição central no cenário de segurança pública, a declaração coloca novamente a atuação da facção no centro de uma discussão que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
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