
Operação chegou à sexta fase nesta quinta-feira (10) e investiga policiais que teriam recebido dinheiro para oferecer policiamento privilegiado a estabelecimentos de Belford Roxo
A Operação Patrinus ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (10), em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Três policiais militares denunciados por corrupção passiva militar tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos durante a sexta fase da investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Segundo o MPRJ, os agentes são acusados de participar de um esquema no qual estabelecimentos realizariam pagamentos para receber tratamento diferenciado no patrulhamento policial.
Dentro desse sistema, comerciantes e empresas beneficiados eram chamados pelos agentes de “padrinhos”.
Os três policiais atuavam no 39º BPM (Belford Roxo) na época dos fatos investigados.
Dois já estavam presos em razão de outro processo decorrente das investigações. Os novos mandados foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (BEP) e no Presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro denunciado foi localizado em sua residência, no Parque Rosário, em Nova Iguaçu.
O que eram os “padrinhos”?
De acordo com as investigações, estabelecimentos que realizavam pagamentos poderiam receber benefícios no serviço de patrulhamento.
Entre as vantagens investigadas estão prioridade nas rotas, presença direcionada de equipes policiais e atendimento aos responsáveis pelos locais.
Nesta nova denúncia, o MPRJ aponta a Clínica Fênix, em Belford Roxo, como um dos estabelecimentos envolvidos.
A investigação identificou um pagamento de R$ 50 e conversas entre policiais sobre a possibilidade de elevar o valor para R$ 100.
Segundo o Ministério Público, mensagens encontradas em celular analisado durante a investigação mostram discussões sobre valores e o direcionamento do patrulhamento.
Um dos agentes teria atuado como intermediário nas negociações. Outro acompanharia pagamentos e tratativas. Já o terceiro teria direcionado o patrulhamento para o estabelecimento, enviado fotografias da atuação policial em um grupo de WhatsApp e recebido pessoalmente R$ 50.
Prisões aconteceram hoje, mas fatos investigados são de 2021
Há um detalhe fundamental para entender o caso.
Embora os mandados tenham sido cumpridos nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, os episódios tratados especificamente nesta denúncia teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2021.
Naquele período, os três policiais integravam o 39º BPM.
Um dos denunciados foi posteriormente expulso da Polícia Militar. A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.
Até a publicação da reportagem original do jornal O Dia, as defesas dos presos não haviam sido localizadas.
Uma investigação que continua revelando fatos antigos
A operação desta quinta-feira não é um caso isolado.
A Patrinus foi deflagrada oficialmente em maio de 2024, mas a análise de celulares e outras provas passou a revelar episódios que, segundo as investigações, ocorreram anos antes.
Conversas, fotografias, áudios e registros encontrados nos aparelhos ajudaram a abrir novas frentes. Posteriormente, informações bancárias e outras provas também passaram a integrar as apurações.
Para entender como uma investigação iniciada em 2024 continua provocando prisões em 2026 por fatos ocorridos anos antes, o BelfordRoxo24h reconstruiu os principais capítulos da Operação Patrinus.
Linha do tempo da Operação Patrinus
Maio de 2024 — nasce a Operação Patrinus
Em 14 de maio de 2024, o MPRJ deflagrou a Operação Patrinus contra policiais militares ligados ao 39º BPM.
Na primeira etapa, foram expedidos mandados de prisão contra agentes denunciados por crimes como organização criminosa, corrupção passiva e peculato.
A investigação ganhou força com a análise de um celular apreendido. Segundo o Ministério Público, mensagens encontradas no aparelho revelaram conexões entre policiais e ajudaram a identificar possíveis novos crimes.
O conteúdo extraído dos dispositivos passou a abrir outros caminhos para os investigadores.
2025 — investigação chega aos “padrinhos”
Um desses caminhos levou ao suposto esquema dos chamados “padrinhos”.
Segundo o MPRJ, policiais teriam recebido dinheiro para oferecer segurança diferenciada a estabelecimentos durante o próprio horário de serviço.
As investigações alcançaram diferentes atividades, entre elas restaurantes, mercados, postos de combustíveis, farmácias, clínicas, universidades, funerárias, transporte alternativo, mototáxis, feiras e festas.
A suspeita é de que estrutura destinada à segurança pública estivesse sendo direcionada para atender interesses particulares mediante pagamento.
Agosto de 2025 — dez policiais são presos
Em agosto de 2025, outra etapa da Patrinus resultou na prisão de dez policiais militares.
Segundo a acusação, integrantes do grupo cobrariam comerciantes para oferecer segurança durante o expediente.
A investigação apontou possível utilização de viaturas, uniformes, armamento e estrutura da Polícia Militar para beneficiar estabelecimentos que efetuariam os pagamentos.
Maio de 2026 — outros 11 PMs são denunciados
Em 12 de maio de 2026, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) denunciou outros 11 policiais militares por corrupção.
Segundo a acusação, eles receberiam pagamentos semanais para prestar segurança a estabelecimentos durante o expediente.
Nesta etapa, a investigação avançou também sobre o caminho do dinheiro.
Após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça, foram identificadas dezenas de transações que, de acordo com o MPRJ, apresentavam valores e datas compatíveis com o esquema investigado.
Junho de 2026 — arma apreendida teria sido vendida por R$ 6 mil
Em 30 de junho de 2026, outro braço da Patrinus resultou na denúncia de quatro policiais militares por peculato e comércio ilegal de arma de fogo.
Segundo o MPRJ, uma pistola calibre 9 mm apreendida durante uma ocorrência realizada em 27 de julho de 2021, na região da Caixa D’Água, em Belford Roxo, teria sido desviada.
A arma teria sido vendida posteriormente por R$ 6 mil, com divisão do dinheiro entre policiais.
Mais uma vez, mensagens, fotografias e áudios encontrados em celular apareceram entre os elementos utilizados na investigação, junto a informações bancárias obtidas mediante autorização judicial.
Setembro de 2026 — Patrinus chega à sexta fase
Nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Patrinus chegou à sua sexta fase, com três novas prisões preventivas.
O episódio volta ao núcleo dos chamados “padrinhos”.
A acusação é de que policiais teriam negociado e recebido dinheiro para direcionar o patrulhamento a um estabelecimento de Belford Roxo.
As prisões são de 2026. Os fatos específicos investigados nesta denúncia, porém, remontam a 2021.
Do celular às movimentações bancárias
Um dos pontos centrais da história da Patrinus é a maneira como uma investigação passou a alimentar outras frentes.
A análise de dispositivos eletrônicos permitiu encontrar mensagens, fotografias, áudios, contatos e registros relacionados a episódios anteriores.
Com o avanço das apurações, outros elementos, incluindo movimentações bancárias obtidas mediante autorização judicial, passaram a ajudar na reconstrução dos fatos.
Assim, uma operação iniciada oficialmente em 2024 continua produzindo desdobramentos em 2026 e alcançando acontecimentos atribuídos a anos anteriores.
A sexta fase mostra que a história da Patrinus ainda pode não ter terminado.
O BelfordRoxo24h continuará acompanhando as investigações, as manifestações das defesas e novas decisões da Justiça relacionadas ao caso.
Fontes: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e jornal O Dia.
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