
Imagens reproduzidas pela Jovem Pan mostram publicações anexadas a uma representação apresentada por Mario Frias. Em outra frente, a campanha de Flávio Bolsonaro levou ao TSE alegações envolvendo mais de 20 mil perfis e cerca de R$ 20 milhões em impulsionamentos. Identidade dos responsáveis e origem dos recursos ainda não foram esclarecidas publicamente.
BRASÍLIA — Perfis com poucos seguidores, milhares de anúncios patrocinados e cifras milionárias em impulsionamento estão no centro de representações apresentadas a órgãos de investigação e à Justiça Eleitoral envolvendo conteúdos contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O caso ganhou uma dimensão ainda maior depois que a campanha de Flávio afirmou ter identificado indícios relacionados a mais de 20 mil perfis e aproximadamente R$ 20 milhões em impulsionamentos.
Esses números são alegações apresentadas pela campanha e não representam, até o momento, uma conclusão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além dos números, existem registros visuais de algumas publicações que fizeram parte das primeiras representações sobre o caso.
Imagens mostram publicações anexadas a representação
O BelfordRoxo24h reproduz nesta reportagem imagens publicadas pela Jovem Pan, identificadas pelo veículo como registros de posts contra Flávio Bolsonaro anexados pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP).
Segundo a Jovem Pan, Frias apresentou, em 30 de junho, representações à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo apuração sobre páginas que, conforme alegado pelo parlamentar, teriam desembolsado mais de R$ 1,1 milhão em dois meses para impulsionar conteúdos contra Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Entre as páginas mencionadas estavam nomes como Radar do Planalto e Dossier Brasil 24h.
A existência das páginas, dos anúncios ou das imagens não comprova, por si só, que seus responsáveis tenham cometido qualquer irregularidade. É justamente a identificação dos administradores, financiadores e circunstâncias dos pagamentos que as representações buscam esclarecer.
Veja algumas das imagens apresentadas
As imagens abaixo foram reproduzidas da reportagem da Jovem Pan e, segundo o veículo, correspondem a posts anexados à representação de Mario Frias.
Crédito: Reprodução/Jovem Pan

Os registros ajudam a mostrar visualmente parte do material que motivou aquela representação. Eles não devem ser confundidos com uma comprovação visual dos mais de 20 mil perfis posteriormente mencionados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Caso chegou ao TSE com números ainda maiores
Em outra frente, o PL levou ao Tribunal Superior Eleitoral informações sobre perfis que, segundo a campanha, apresentavam comportamento considerado atípico.
O levantamento apresentado inicialmente ao TSE mencionava 57 perfis, mais de 4,6 mil anúncios, aproximadamente R$ 3 milhões em publicidade e alcance estimado em cerca de 250 milhões de visualizações.
Posteriormente, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que o levantamento mais amplo teria encontrado indícios relacionados a mais de 20 mil perfis e aproximadamente R$ 20 milhões em impulsionamentos.
Novamente, é importante fazer a distinção: os números foram apresentados pelo PL e precisam ser submetidos à verificação e às conclusões da Justiça Eleitoral.
Perfis pequenos e gastos elevados chamaram atenção
Um dos elementos apresentados pela campanha é a diferença entre o número de seguidores de determinadas contas e o volume de dinheiro empregado em publicidade.
Segundo informações divulgadas sobre a representação, foram encontrados casos de perfis com aproximadamente 20 ou 30 seguidores associados a gastos que poderiam chegar perto de R$ 200 mil em anúncios.
A discrepância levantou uma pergunta que atravessa todo o caso:
quem estava pagando esses impulsionamentos?
Ter poucos seguidores e investir valores elevados em publicidade não constitui, isoladamente, prova de irregularidade. O que precisa ser esclarecido é quem realizou as contratações, de onde vieram os recursos e se existia alguma coordenação entre as contas.
O dinheiro virou peça central
A discussão, portanto, vai muito além do conteúdo das publicações.
Para estabelecer se houve alguma operação irregular, será necessário identificar quem administrava determinadas páginas, quem contratava os anúncios, quais meios de pagamento eram utilizados e qual era a origem dos recursos.
Informações divulgadas sobre a representação também mencionaram pagamentos associados a anúncios em moedas diferentes, incluindo reais, dólares e pesos colombianos.
O uso de moeda estrangeira não demonstra, sozinho, financiamento internacional ou prática ilegal. Somente a análise dos registros financeiros e cadastrais poderá esclarecer a origem efetiva desses pagamentos.
TSE determinou preservação dos dados
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou à Meta a preservação dos dados relacionados aos perfis apontados no caso.
A decisão é importante porque uma página pode ser excluída ou deixar de estar disponível ao público, enquanto registros técnicos relacionados à conta podem permanecer armazenados pela plataforma dentro dos limites legais.
Isso permite que informações potencialmente relevantes sejam preservadas enquanto a Justiça analisa os pedidos apresentados.
Meta teria descumprido prazo
O caso ganhou uma atualização importante em 4 de setembro.
Segundo reportagem do Metrópoles, integrantes do TSE disseram que a Meta ainda não havia fornecido informações solicitadas pela Corte relacionadas aos perfis.
A publicação informou que a empresa teria descumprido os prazos estabelecidos para a entrega dos dados.
Esse material pode ser importante justamente para avançar sobre as perguntas que ainda permanecem abertas: quem controlava as contas e quem estava relacionado aos pagamentos dos anúncios?
Até esta atualização, não há informação pública conclusiva atribuindo a uma pessoa, empresa ou organização específica a responsabilidade pelo conjunto de perfis mencionado pela campanha.
Linha do tempo do caso
30 de junho — Mario Frias apresenta representações à PGR e à Procuradoria-Geral Eleitoral. A Jovem Pan publica posteriormente imagens identificadas como posts anexados pelo parlamentar.
17 de julho — o PL leva ao TSE uma representação relacionada aos perfis e aos gastos com impulsionamento.
Julho — o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determina a preservação dos dados relacionados às contas apontadas.
4 de setembro — o Metrópoles informa que a Meta ainda não havia entregue determinados dados solicitados pelo TSE e teria perdido os prazos estabelecidos.
7 de setembro — o TSE divulga informações sobre o plano de conformidade apresentado pela Meta para as Eleições 2026.
Das imagens ao rastro do dinheiro
As imagens reproduzidas nesta reportagem permitem ao leitor conhecer exemplos concretos das publicações que foram apresentadas em uma das representações.
Mas elas mostram apenas a parte visível da história.
A resposta mais importante pode estar justamente naquilo que não aparece nas telas:
Quem criou as contas? Quem as administrava? Quem contratou os anúncios? De onde saiu o dinheiro? Os diferentes perfis possuíam alguma ligação entre si?
E a pergunta que permanece no centro do caso:
quem bancou tudo isso?
Até o momento, não há decisão pública definitiva do TSE identificando os responsáveis por uma eventual estrutura coordenada, nem comprovação judicial pública de que todos os mais de 20 mil perfis mencionados pela campanha integrassem uma única rede.
A análise dos registros técnicos e financeiros poderá confirmar, reduzir ou afastar parte das suspeitas apresentadas.
O BelfordRoxo24h continuará acompanhando o caso e atualizará esta reportagem diante de novas decisões da Justiça Eleitoral, eventual entrega dos dados solicitados à Meta ou identificação pública dos responsáveis pelos pagamentos.
Fontes
As informações desta reportagem foram reunidas a partir de publicações da Jovem Pan, do Metrópoles, de outros veículos que acompanharam o caso e de informações relacionadas às decisões do Tribunal Superior Eleitoral.
As imagens utilizadas nesta reportagem foram reproduzidas da publicação da Jovem Pan e devem permanecer identificadas como:
Crédito das imagens: Reprodução/Jovem Pan
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