
Deputado federal teve o aparelho apreendido pela Polícia Federal em 12 de maio; 93 dias depois, não há informação pública localizada sobre a devolução do celular nem sobre o conteúdo eventualmente extraído pela perícia
Já se passaram mais de três meses desde que a Polícia Federal apreendeu o celular do deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) durante uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O aparelho foi recolhido em 12 de maio de 2026, quando Marcelo Queiroz foi abordado por agentes federais no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, antes de embarcar para Brasília.
Nesta quinta-feira, 13 de agosto, completam-se 93 dias desde a apreensão.
Um levantamento realizado pelo BelfordRoxo24h mostra que, até o fechamento desta reportagem, não foi localizada informação pública confirmando se o aparelho físico já foi devolvido ao parlamentar.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob sigilo grau 3, o que restringe o acesso público a parte das movimentações, documentos e resultados das diligências realizadas durante a investigação.
O que a PF foi autorizada a fazer com o celular
A investigação tramita no STF na Petição 15.234, sob relatoria do ministro Flávio Dino. A medida de busca e apreensão foi autorizada a pedido da Polícia Federal, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.
A decisão judicial não se limitou à apreensão física do telefone.
A Polícia Federal foi autorizada a realizar acesso, extração e análise das informações digitais encontradas nos equipamentos apreendidos, desde que consideradas necessárias à investigação.
O material obtido deve ser submetido à perícia técnica, com preservação da cadeia de custódia e utilização de código hash, mecanismo empregado para garantir a integridade dos dados analisados.
Na prática, dados armazenados no aparelho e relacionados aos fatos investigados podem ser confrontados com outros elementos reunidos pela Polícia Federal.
Dependendo do conteúdo existente no dispositivo, uma perícia pode alcançar registros de comunicação, documentos, arquivos, imagens, contatos, agendas e outros dados digitais relacionados ao objeto da investigação.
Isso, porém, não significa que qualquer um desses conteúdos tenha necessariamente sido encontrado no telefone de Marcelo Queiroz.
Por que o celular pode ser importante para a investigação
A apreensão ocorreu durante a Operação Castratio, que apura suspeitas envolvendo contratos públicos relacionados a serviços de castração e esterilização de animais no período em que Marcelo Queiroz comandava a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro.
Por envolver um deputado federal, a investigação tramita no Supremo Tribunal Federal.
Dados digitais podem ser importantes porque permitem aos investigadores confrontar datas, contatos, documentos, decisões administrativas e eventuais comunicações com outros elementos já existentes no processo.
Até agora, no entanto, não houve divulgação pública do conteúdo efetivamente encontrado no celular de Marcelo Queiroz.
Também não há confirmação pública de que eventual análise do aparelho tenha produzido novos elementos contra o parlamentar.
Sigilo grau 3 limita acesso às informações
Um dos pontos centrais do caso é justamente o nível de sigilo estabelecido no processo.
A investigação está classificada no STF como sigilosa em grau 3.
Isso significa que parte relevante das informações produzidas durante a investigação, incluindo eventuais resultados de perícias, manifestações das autoridades e movimentações processuais, pode não estar disponível para consulta pública.
Por esse motivo, passados 93 dias desde a apreensão, ainda não é possível saber publicamente o que foi extraído do telefone e qual foi a conclusão da análise pericial.
Não houve determinação de devolução automática
Outro detalhe importante aparece na decisão que autorizou as diligências.
O ministro Flávio Dino indeferiu um pedido antecipado para restituição automática de documentos, objetos e equipamentos eletrônicos depois que fossem examinados e eventualmente deixassem de interessar à investigação.
A decisão estabeleceu que eventual devolução deveria ser analisada posteriormente pela própria relatoria.
Isso significa que não existia uma ordem determinando que o telefone fosse automaticamente devolvido logo após uma eventual perícia.
Por outro lado, também não é possível afirmar que o aparelho físico permaneça atualmente sob custódia da Polícia Federal, já que não foi localizada informação pública posterior esclarecendo especificamente essa situação.
Mesmo devolvido, dados podem continuar no processo
Existe uma diferença importante entre o celular físico e os dados que eventualmente tenham sido extraídos dele.
Mesmo que o aparelho tenha sido ou venha a ser devolvido, informações obtidas legalmente durante uma perícia podem continuar preservadas e vinculadas à investigação.
Por isso, depois de 93 dias, a principal questão não é apenas saber onde está fisicamente o celular.
A pergunta que permanece é:
O que a perícia encontrou no aparelho de Marcelo Queiroz e esse material trouxe algum novo elemento para a investigação?
Até o momento, essa resposta não veio a público.
Marcelo Queiroz continua exercendo mandato
Apesar da investigação, Marcelo Queiroz continua exercendo seu mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
A apreensão do celular e a existência da investigação não representam condenação.
Qualquer eventual responsabilização do parlamentar depende do resultado das investigações, da atuação dos órgãos responsáveis e das etapas posteriores do processo.
O BelfordRoxo24h continuará acompanhando o caso e poderá atualizar esta reportagem caso surjam informações oficiais sobre a devolução do aparelho, o resultado da perícia ou novas movimentações na investigação.
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