
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, se comprometeu a aceitar o resultado da eleição deste ano. A afirmação do candidato foi feita ao programa “Canal Livre”, da Band, exibido neste domingo (2).
“Eu vou aceitar [o resultado], vou concorrer com essas regras, e tenho certeza que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral], diferente do de 2022, vai ser um TSE imparcial e vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência, porque o maior interessado em que as eleições aconteçam com essa normalidade é o próprio TSE”, afirmou Flávio.
No mês passado, em reunião com diplomatas, Flávio usou dados inverídicos para criticar as urnas eletrônicas e afirmou que há suspeitas de que as máquinas utilizadas nas eleições no Brasil foram produzidas por uma empresa venezuelana. Segundo Flávio, haveria uma investigação da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) de que as urnas venezuelanas teriam facilitado fraudes na eleição do país sul-americano em 2012. As acusações já haviam sido desmentidas pelo TSE.
Apesar de afirmar que vai aceitar o resultado, Flávio voltou a pedir mais transparência nos equipamentos utilizados para receber os votos dos eleitores brasileiros. “Só estou cobrando que o TSE imponha mais camadas de transparência”, disse Flávio, ao ser confrontado com dados que apontam que a empresa venezuelana nunca produziu uma urna utilizada no Brasil.
“Estou pedindo apenas para colocar mais camadas de segurança [nas urnas]”, acrescentou.
Na entrevista, o candidato do PL também disse que sua decisão de concorrer ao Planalto é uma “candidatura de protesto” ao que chamou de “perseguição” ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Me sinto preparado para esse momento. Estou indignado, estou há 24 anos na política e quero fazer mais”, disse, citando os recentes casos de frades no Banco Master e no INSS.
“Como as coisas vão mudar se o ministro do Supremo é flagrado e não acontece nada com ele?”, questionou, sem citar nominalmente os ministros.
Flávio centrou suas respostas na segurança pública e afirmou que vai elevar a pena mínima para furto de celular e receptação. “E quando ficar preso, e vai ficar preso, vai trabalhar para pagar a estadia”, disse.
Questionado sobre a rejeição elevada entre o eleitorado feminino, citou um programa que pretende criar para permitir a denúncia de abusos e violência sem a necessidade de ira a uma delegacia.
“A questão não é rejeição, é desconhecimento. E aí a gente tem que melhorar a nossa forma de se comunicar com o público feminino. Porque as pautas que a maioria das mulheres defende são as pautas da direita”, disse.
Flávio Bolsonaro também abordou a questão da escolha de seu vice, e afirmou que “as conversas continuam” e que o prazo para definição vai até 5 de agosto (quarta-feira desta semana).
Na semana passada, o PP decidiu manter neutralidade na disputa presidencial de outubro. A decisão da sigla inviabilizou a possibilidade de que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) seja candidata a vice na chapa de Flávio. Cristina foi ministra da Agricultura no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As conversas continuam. A gente tem essa data até 5 de agosto para tomar uma decisão. Todo mundo sabe da minha preferência por indicar uma mulher que seja preparada, que agregue a essa chapa”, disse Flávio ao ser questionado sobre as discussões para a escolha do nome para compor a chapa ao Planalto.
Sobre a decisão do PP de optar pela neutralidade, o candidato do PL afirmou que os partidos “não são homogêneos”. “Tem sempre, dentro de cada partido, essas preferências regionais.” Neste sentido, disse que cabe a ele “respeitar os partidos”.
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