
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, alvo de um inquérito da Polícia Federal, não receberá tratamento diferenciado caso seja acusado. Segundo o presidente, ele será tratado “como o filho de qualquer pessoa”.
“Ele não tem o direito de errar, ele jura para mim todos os dias. Se for julgado, vai vir para cá. Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei [no caso das investigações da Lava Jato]. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra”, disse em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Nesta quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de novo inquérito para investigar a suspeita de tráfico de influência envolvendo Lulinha. A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF).
Uma das suspeitas apontada pelos investigadores é de que Lulinha teria sido sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” em uma empresa do ramo chamada World Cannabis. Como mostrou o Valor, a PF quer apurar as suspeitas de crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, em programas ligados ao Ministério da Saúde.
Durante a entrevista, Lula disse ainda que seu filho é usado para atacá-lo desde 2006 e reiterou que não interferirá nas investigações em curso. “Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz ou um delegado não fazer as coisas corretas”, afirmou.
Interferência dos EUA nas eleições
Pré-candidato à reeleição, Lula disse durante a entrevista que o governo dos Estados Unidos tentará interferir nas eleições de 2026. Sem citar a família do seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista disse que os americanos “vão tentar ajudar o lado de lá a ganhar” o pleito. A família Bolsonaro mantém relação de proximidade com o presidente Donald Trump.
Lula afirmou não estar preocupado com uma eventual interferência americana e disse que sua relação pessoal com Trump foi “muito boa” durante o encontro entre os dois na Casa Branca. “Se ele quiser apoiar eleitoralmente, que venha. Agora, nós vamos ganhar as eleições”, declarou.
O presidente também criticou a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos na defesa de sanções contra o Brasil. “Esse país não pode viver na base da mentira. Agora, os filhos do satanás foram para os Estados Unidos trabalhar contra o Brasil”, disse.
Lula acrescentou que o governo vai enfrentar a questão das sobretaxas a produtos brasileiros. “Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo, vamos ganhar na narrativa”, disse. Atualmente, o Brasil está sujeito a sobretaxas de 25% e de 12,5% impostas após duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR).
Apresentado pelo empresário Rogério Vilela, o podcast é conhecido por entrevistar personalidades de diferentes áreas. Lula participou do programa cerca de três meses após a passagem do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
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