
Embora esteja agradecido e aliviado pelo fato de que a Irmã Leticia Ugboaja poderá continuar servindo no Vale do Rio Grande enquanto seu caso de imigração prossegue, o bispo da Diocese de Brownsville, Texas, Dom Daniel Flores, afirmou em 29 de julho que o resultado de sua situação ainda é “uma questão em aberto”, assim como para muitos outros em circunstâncias semelhantes.
O bispo texano, que também atua como vice-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, na sigla em inglês), divulgou uma declaração após o comparecimento de Ugboaja ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA) em 28 de julho, ocasião em que ela foi informada de que a remoção para um terceiro país não estava descartada. “Somos gratos a Deus pela notícia de terça-feira de que a Irmã Leticia ‘Letty’ Ugboaja poderá permanecer em nossa comunidade enquanto seu caso tem permissão para avançar”, disse Flores. Embora a Igreja sinta “algum alívio” no momento, acrescentou ele, “também lembramos que é importante continuar rezando e acompanhando os muitos indivíduos e famílias que vivem com medo e ansiedade enquanto buscam uma maneira de resolver sua situação imigratória”.
“A perspectiva de deportação para um terceiro país assusta muitas pessoas que, como a Irmã Letty, não violaram nenhuma lei e receberam permissão para ficar enquanto as condições em seu país de origem permanecem ameaçadoras à vida”, disse Flores. O bispo recordou a mensagem especial que a USCCB emitiu em novembro de 2025, na qual os bispos pediram uma reforma imigratória significativa. “Podemos ser uma nação que respeita tanto a lei quanto a compaixão bem ponderada por pessoas em risco em seus próprios países”, destacou Flores, pedindo um consenso político que “defenda o bem comum, proteja os vulneráveis e trate todas as pessoas cujo status imigratório está sendo revisado com humanidade”.
“Que Deus nos guie na construção de uma sociedade que reflita tanto a justiça quanto a misericórdia”, enfatizou.
Em 28 de julho, o advogado de Ugboaja, Carlos Garcia, disse aos repórteres reunidos do lado de fora do escritório do ICE onde ocorreu seu comparecimento que a possibilidade de remoção para um terceiro país “é muito preocupante para nós… Obviamente não é isso que queremos. E é por isso que estamos explorando todas as nossas alternativas legais”.
Ugboaja, membro da congregação Filhas de Maria Mãe da Misericórdia e enfermeira registrada no South Texas Health System, foi detida por dois agentes do ICE no domingo, 28 de junho, enquanto caminhava para a missa na Igreja Nossa Senhora das Dores em McAllen, onde atua como ministra da Eucaristia. Ela foi libertada no mesmo dia após a intervenção de vários líderes políticos.
Em uma coletiva de imprensa na semana passada, Garcia disse que um juiz de imigração negou o pedido de asilo de Ugboaja em 2019, mas concedeu a ela proteção contra remoção para a Nigéria sob a Convenção das Nações Unidas Contra a Tortura, concluindo que era provável que ela fosse torturada se retornasse para lá.
Garcia disse que essa proteção legalmente impede o governo dos EUA de deportá-la para a Nigéria, embora ela permaneça sob uma ordem final de remoção e possa ser enviada para um terceiro país. Após o comparecimento de Ugboaja em 28 de julho, seu advogado expressou gratidão pelo fato de que a freira, que vive nos Estados Unidos há quase duas décadas e nunca perdeu uma consulta de imigração, não foi detida e não foi obrigada a usar uma tornozeleira eletrônica, possibilidades que ele havia discutido na semana passada. A freira tem outro comparecimento agendado para 28 de janeiro de 2027.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Brownsville, Texas, bishop addresses plight of nun, others like her facing deportation
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