
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apelou para o “fator China” ao pedir mais investimentos dos EUA no Brasil durante entrevista na Embaixada em Washington nesta quinta-feira (7), após um encontro de mais de três horas com o líder americano Donald Trump e sua equipe.
Segundo o petista, os EUA perderam o posto de maior parceiro comercial do Brasil ainda no século XX, depois que Pequim passou a buscar mercadorias que só o país teria a capacidade de produzir na escala demandada.
“O Brasil passou a ter a China como principal parceiro comercial por volta de 2008, quando os EUA perderam sua hegemonia. Eu disse a Trump que é importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil, muitas vezes fazemos licitação internacionais e os EUA não participam, os chineses participam”, disse.
Segundo o presidente brasileiro, Washington deixou de olhar para a América Latina com uma visão econômica, focando seus objetivos em combater o narcotráfico, assim como a União Europeia reduziu sua atenção da região e da África após a conquista do Leste Europeu. “Agora percebem a importância da América Latina nesse mundo conturbado”, declarou.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse por meio de uma publicação na Truth Social que a reunião realizada na Casa Branca com o “dinâmico” presidente Lula foi “muito boa” e teve entre seus principais temas comércio e tarifas. O encontro ocorreu em Washington, em meio a uma tentativa dos dois governos de reduzir tensões acumuladas na relação bilateral.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu Trump.
Na mesma publicação, o presidente americano afirmou que representantes dos dois países deverão se reunir no futuro para tratar de “certos pontos-chave” discutidos no encontro. O líder republicano também disse que novas reuniões serão marcadas nos próximos meses, “conforme necessário”.
A declaração pública de Trump adotou tom positivo após uma agenda cercada de expectativa.
Após a longa conversa, o presidente brasileiro publicou fotos do encontro com Trump. A grande surpresa pós-reunião foi o cancelamento da coletiva de imprensa que os dois fariam juntos.
Lula chegou à Casa Branca nesta quinta com cerca de 15 minutos de atraso e conversou com Trump a portas fechadas, numa reunião que durou cerca de 3 horas. Estava previsto uma coletiva dos dois líderes com a imprensa, mas essa coletiva não ocorreu. Lula deixou a Casa Branca rumo à Embaixada do Brasil nos EUA logo após o fim da conversa.
Dentro da chamada “visita de trabalho”, os dois presidentes também estenderam as conversas durante um almoço na Casa Branca. Lula deve conceder entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Washington.
Este é o segundo encontro oficial entre Trump e Lula: em outubro, eles já haviam se reunido na Malásia durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), após terem se “esbarrado” na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no mês anterior.
O encontro desta quinta-feira foi precedido por renovada trocas de farpas entre os dois governos: as críticas de Lula às ações americanas no Irã e em Cuba; a expulsão dos Estados Unidos de um delegado da Polícia Federal brasileira que havia atuado na prisão temporária do ex-deputado federal Alexandre Ramagem no país norte-americano – o governo Lula reagiu retirando as credenciais de um adido da agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no Brasil; uma investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras; e a intenção de Washington de declarar os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, algo a que Brasília se opõe.
O petista foi acompanhado para a reunião desta quinta-feira de cinco ministros: Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Dario Durigan, da Fazenda; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; Márcio Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também faz parte da comitiva, mas não esteve no encontro dos dois líderes de Estado.
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