
O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou a definição de seu plano de campanha. A estratégia inclui sinalizar propostas para um eventual governo, como o fim da reeleição para presidente, a aposta na polarização e articulações para formar chapas competitivas nos Estados.
No caso do fim da reeleição, o argumento é, segundo articuladores da campanha, de que um mandato único permitiria ao presidente tomar decisões mais orientadas pelo interesse público, sem a pressão do cálculo eleitoral.
A estratégia sugerida por aliados já está se concretizando na prática e Flávio Bolsonaro aparenta ter ouvido os conselhos. Em entrevista à Jovem Pan, o senador defendeu que “não poder se reeleger é saudável para o nosso país”.
“Eu assino qualquer proposta para que o mandato de presidente seja apenas uma vez, para que não caiba a reeleição. Não poder se reeleger é saudável para o nosso país. Os detalhes a gente discute. Isso faz com que a pessoa que está sentada na cadeira de presidente da República possa tomar com tranquilidade medidas que, às vezes, são amargas, sabendo que ele não vai ter que defender esse ponto de vista na eleição alguns anos ali na frente”, declarou o pré-candidato na última quinta-feira (12).
Flávio repetiu a promessa que o pai, Jair Bolsonaro, fez em 2018, ao concorrer pela primeira vez à Presidência. Na ocasião, o candidato propôs uma reforma para colocar fim à possibilidade de um membro do Executivo disputar um segundo mandato e para diminuir o número de parlamentares do Congresso Nacional. Em 2022, ao tentar se reeleger, Bolsonaro disse que “mudou de ideia” sobre o tema.
Articuladores têm evitado antecipar estratégias de campanha e medidas que possam gerar ruídos antes da consolidação do plano de governo, que está em fase de construção desde o meio do ano passado. Flávio, por sua vez, tem participado mais ativamente dessa construção apenas há cerca de um mês e ainda precisa validar uma série de propostas.
Nesse sentido, também há cautela para a definição de chapa, principalmente da vice, para manter abertas as portas para negociações com o Centrão. Mesmo assim, nomes como o da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), não deixam de ser discutidos.
Citada por bolsonaristas como a vice ideal, Tereza Cristina tem concordado publicamente com aqueles interlocutores do senador, que consideram ainda ser “muito cedo” para a escolha de um nome para o posto. Membros do PP também consideram improvável que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI) — que tinha vontade de ocupar a vice da ventilada candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) — apoie que Tereza seja alçada ao cargo.
Já Zema tem descartado publicamente a possibilidade de ser vice e reafirmado que seguirá até o fim com a sua candidatura a presidente da República, mantendo abertas as portas para negociações com o centrão — que apesar dos recentes acenos ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de ser classificado por aliados de Flávio como “inodoro” e “insosso”, ainda é visto como estratégico. “O centro não tem nitidez, não tem gosto, não tem sabor. Se o PT ganhar eles aderem ao PT. Se a gente ganhar eles vão aderir à gente”, resume um aliado.
“Se você perguntar ao brasileiro ‘qual é seu o partido?’, só tem dois lembrados: PL e PT”, diz um interlocutor de Flávio, que reforça a escolha pelo caminho da polarização com Lula. Os estrategistas por trás da campanha do PL trabalham com a leitura de que o bolsonarismo já passou por dois “laboratórios” eleitorais recentes e agora enfrenta um terceiro cenário inédito.
O primeiro foi em 2018, quando Jair Bolsonaro operou como um “outsider” com baixa estrutura partidária, pouco tempo de TV e recursos limitados, mas conseguiu vencer “abaixo do radar” antes que o sistema político se organizasse para conter seu avanço. O segundo, em 2022, com Bolsonaro já como incumbente, no centro do radar, sob desgaste de governo e enfrentando uma oposição estruturada.
Para 2026, os aliados descrevem uma terceira situação, em que o bolsonarismo ocupa o papel de desafiante, mas agora com um partido grande, plano de governo e palanques regionais, em uma disputa em que a campanha pretende explorar a comparação de resultados entre a gestão Lula e o bolsonarismo. A comparação direta de desempenho é uma estratégia que já vem sendo defendida pela campanha petista e que segundo aliados de Flávio Bolsonaro, será um debate muito “bem-vindo”.
A estratégia inicial da pré-campanha está focada na organização e estruturação do partido e a prioridade, segundo interlocutores, é a montagem de palanques regionais com candidaturas majoritárias competitivas, compatibilizando essas escolhas com o interesse de possíveis aliados. O mês de março é tratado como divisor de águas para a definição dos “times” na janela partidária, com expectativa de amarrações até o início de abril.
Nikolas e o palanque mineiro
Há atenção especial a Minas Gerais, tratado como Estado “fulcral”, além de São Paulo e Rio de Janeiro, apontados como colégios eleitorais decisivos que exigem “todo cuidado do mundo” na definição de nomes e alianças.
Por isso, o papel de Nikolas Ferreira (PL-MG), é considerado decisivo na montagem do palanque mineiro. A hipótese de ele participar das composições majoritárias no Estado, segundo interlocutores, partiu de especulações de setores empresariais com influência em Minas, e não da direção nacional da sigla, mas ganhou tração pelo peso eleitoral e pela dimensão nacional do deputado, impulsionada pelo alcance nas redes sociais.
Mas, interlocutores ponderam que a decisão depende da vontade do próprio Nikolas e que, neste momento, ele sinaliza que não tem disposição de entrar na corrida ao governo, e prefere manter-se na Câmara. Aliados de Flávio, no entanto, apontam que o deputado será ouvido de forma “decisiva” na montagem do palanque mineiro.
A orientação também é calibrar a comunicação para evitar antecipar debates considerados sensíveis. Na relação com o setor produtivo, a preferência é por agendas institucionais com entidades e setores, e não encontros individualizados com empresas.
Na economia, a mensagem central que Flávio Bolsonaro tem passado ao mercado é a de retomar a “espinha dorsal” do governo Bolsonaro, com profissionalização da gestão pública e das estatais, defesa de uma reforma administrativa, compromisso com responsabilidade fiscal e estabilização da dívida, desburocratização e simplificação do Estado e governo digital, bem como a redução de impostos e de ministérios, dos atuais 39 para algo em torno de 25 ou 26 pastas.
O papel de Michelle Bolsonaro também é visto como central — apesar de rusgas e ruídos familiares. A leitura é de que o imbróglio pessoal entre madrasta e enteados “é um caldo que naturalmente precisa ser acomodado em função do interesse maior”. “Michelle será candidata ao Senado. Eu não tenho dúvida que ela vai se integrar na campanha, tem que dar tempo pra ela, pra ela no tempo dela dar a sua contribuição e ela fará isso, não tenho dúvida”, diz um aliado de Flávio.
Interlocutores próximos a Flávio Bolsonaro afirmam que Michelle manteve, até recentemente, a pretensão de ocupar a vice em uma eventual chapa presidencial liderada por Tarcísio, o que ajuda a explicar parte dos ruídos. Para aliados da ex-primeira-dama, porém, ela não está decidida sobre candidatura neste ano, nunca corroborou publicamente uma disputa ao Senado e encara esse movimento como um plano do marido que ainda não confirmou.
Michelle Bolsonaro, no entanto, ganhou relevância política acima do esperado, na avaliação de articuladores do Partido Liberal, com “forte carisma e desempenho em palco”, além de capacidade de dialogar com um eleitorado considerado mais difícil para o bolsonarismo – as mulheres.
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