
Taiwan está modernizando seus sistemas de radar e vigilância para monitorar embarcações chinesas e enfrentar “desafios cada vez mais severos” no Estreito de Taiwan, afirmou ao “Nikkei Asia” um alto funcionário da guarda costeira.
“A Guarda Costeira de Taiwan precisa ampliar com urgência sua capacidade de consciência do domínio marítimo para prevenir e conter incursões na chamada zona cinzenta”, disse Hsieh Ching-chin, vice-diretor-geral da Administração da Guarda Costeira. Ele se referia a ações como assédio a navios, campanhas de desinformação e outras atividades hostis abaixo do limiar de um conflito armado.
Hsieh citou uma ampla gama de ameaças, incluindo contrabando chinês em botes infláveis, navios de bandeira de conveniência financiados por Pequim, embarcações em más condições suspeitas de danificar cabos submarinos, barcos de pesca da “milícia marítima” chinesa avançando sobre águas taiwanesas e navios da Guarda Costeira chinesa que desligam seus sistemas automáticos de identificação (AIS) ao operar perto de Kinmen e Dongsha.
O Conselho de Assuntos Oceânicos (OAC), principal órgão do governo taiwanês para segurança marítima, garantiu cerca de US$ 935,6 milhões em um orçamento especial — separado do orçamento anual, atualmente travado no Parlamento. Os recursos financiarão a construção de 40 novas embarcações de patrulha e a modernização dos sistemas de vigilância.
Segundo Hsieh, entre 2025 e 2027 o financiamento permitirá uma ampla atualização das capacidades de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), incluindo drones aéreos, de superfície e subaquáticos, sistemas de imagem infravermelha, radares costeiros de médio alcance e tecnologias de reconhecimento de imagens baseadas em inteligência artificial.
“Essas ferramentas permitirão criar uma rede de vigilância marítima em múltiplas camadas, reforçando a resiliência nacional, a aplicação da lei no mar e as operações de busca e salvamento”, afirmou.
Philip Shetler-Jones, pesquisador sênior do Royal United Services Institute (RUSI), em Londres, destacou que lidar com o assédio marítimo na zona cinzenta começa com uma boa percepção da situação. “O radar continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para manter um quadro atualizado do que acontece no mar”, disse.
Nos últimos anos, a China intensificou exercícios militares ao redor de Taiwan e de suas ilhas periféricas, com a Guarda Costeira chinesa assumindo um papel cada vez mais visível. No fim do ano passado, o exercício “Justice Mission 2025” envolveu ao menos 130 saídas aéreas e 32 embarcações apenas no primeiro dia.
Neste mês, o Ministério da Defesa de Taiwan condenou a incursão de um drone chinês no espaço aéreo de Dongsha, também conhecida como Ilha Pratas, classificando o episódio como uma grave perturbação da paz regional.
Essas manobras alimentam temores de uma pressão crescente ou até de um eventual bloqueio da ilha, um desafio para Taipé, já que a comunidade internacional ainda não encontrou uma forma eficaz de dissuadir esse tipo de coerção sem recorrer a um confronto militar direto.
As ações da Guarda Costeira chinesa também provocaram reações das Filipinas e do Japão. Recentemente, o governo japonês manifestou preocupação com incursões chinesas em áreas territoriais.
Hsieh fez as declarações após uma coletiva do Conselho de Assuntos Oceânicos, órgão que supervisiona a Guarda Costeira no governo do presidente Lai Ching-te.
A ministra do OAC, Kuan Bi-ling, afirmou que a força realizou 805 operações conjuntas de patrulha e expulsão de navios chineses apenas em 2025. Segundo ela, a Guarda Costeira passa por sua segunda grande transformação, com monitoramento tecnológico, multidimensional e contínuo para lidar com ameaças na zona cinzenta.
Kitsch Liao, diretor associado do Global China Hub do Atlantic Council, alertou que Taiwan enfrenta desafios relevantes para manter a consciência situacional necessária para conter as operações chinesas. Ele afirmou que uma estrutura de ISR multimodal, com meios tripulados e não tripulados, pode ajudar a mitigar a coerção de Pequim.
Liao acrescentou que a Guarda Costeira, responsável pela zona crítica de 24 milhas náuticas (44 quilômetros) ao redor da ilha, vem reforçando sensores costeiros, instalando AIS em suas embarcações e explorando tecnologias de vigilância aérea.
Para Shetler-Jones, Taiwan trabalha para integrar múltiplas fontes de dados e melhorar sua capacidade de compreender ameaças em evolução e responder de forma coordenada, inclusive com parceiros internacionais, reduzindo o risco de surpresas.
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