
Operação da Draco no Condomínio Jardim Guandu investiga cobranças ilegais, ameaças de expulsão e interferência na administração do conjunto residencial. Justiça expediu dois mandados de prisão e dez de busca e apreensão.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14 de outubro de 2026), uma operação contra a milícia liderada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, investigada por extorquir moradores e controlar ilegalmente a administração do Condomínio Jardim Guandu, localizado na região do Km 32, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar. Um sargento da PM está entre os investigados.
Segundo a Polícia Civil, a organização mantinha uma estrutura de arrecadação ilegal dentro do condomínio, utilizando ameaças e intimidações para obrigar moradores a realizar pagamentos.
A investigação identificou e indiciou nove integrantes do grupo criminoso.
Milícia ameaçava expulsar moradores de suas próprias casas
As investigações apontam que integrantes da milícia interferiam diretamente na administração do Condomínio Jardim Guandu, estabelecendo regras e cobranças sem autorização legal.
O grupo também fiscalizava os pagamentos realizados pelos moradores e organizava a prestação de contas à liderança da organização.
Segundo a polícia, quem se recusava a pagar as quantias exigidas poderia sofrer ameaças de violência e até de expulsão da própria residência.
O esquema permitia que a milícia mantivesse influência sobre o conjunto residencial e explorasse financeiramente os moradores.
Informações divulgadas durante a operação apontam que a arrecadação ilegal poderia chegar a aproximadamente R$ 85 mil mensais. O valor ainda depende de esclarecimento sobre a composição das cobranças.
Policial militar da ativa é investigado
Entre os alvos da operação está o terceiro-sargento Carlos Luis Torres Correia, conhecido como Carlão, lotado no 7º Batalhão da Polícia Militar, em São Gonçalo.
Segundo a investigação, o militar teria influência sobre a administração do condomínio e mantinha contato com integrantes da liderança da milícia.
A suspeita é de que sua condição de policial fosse utilizada para ampliar o poder de intimidação da organização, pressionando os moradores a cumprir as exigências financeiras do grupo.
O sargento é alvo de mandado de busca e apreensão. A participação dele no esquema permanece sob investigação.
Durante a operação, equipes policiais estiveram na residência do militar.
Justiça determina prisão de dois investigados
A Justiça expediu dois mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, autorizados pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa.
Os principais alvos dos mandados de prisão são:
Felipe Alves da Silva, conhecido como Felipinho ou Portugal: apontado pela Polícia Civil como homem de confiança de Juninho Varão e responsável por coordenar as cobranças ilegais dentro do condomínio.
Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, conhecido como MJ: investigado por sua suposta participação direta nas cobranças e nas intimidações contra os moradores.
Até a atualização divulgada na manhã desta quarta-feira, os dois alvos dos mandados de prisão não haviam sido localizados.
Documentos e materiais são apreendidos durante a operação
Durante as diligências, policiais recolheram materiais que poderão contribuir para o avanço das investigações.
Entre os itens divulgados estão envelopes com documentos relacionados às cobranças, comprovantes de pagamentos, uma caminhonete com sinais de adulteração e um objeto de madeira que, segundo os relatos da investigação, seria utilizado em ações de intimidação.
O material deverá ser analisado para identificar a movimentação financeira e possíveis responsabilidades de outros envolvidos.
Grupo de Juninho Varão já havia sido alvo de outras operações
A ofensiva desta quarta-feira faz parte de uma investigação mais ampla contra a organização criminosa apontada como responsável por extorsões em diferentes regiões da Baixada Fluminense.
No dia 9 de outubro, dois homens investigados por ligação com a milícia foram presos em Nova Iguaçu, em uma ação relacionada à cobrança de taxas ilegais de comerciantes no bairro Valverde.
A Draco busca enfraquecer os núcleos operacional e financeiro da organização, interromper a exploração dos moradores e aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos.
Vídeo exclusivo mostra operação policial em Nova Iguaçu
O Nova Iguaçu na Linha (@novaiguacunalinha), canal de informação regional integrado à rede BelfordRoxo24h, publicou imagens exclusivas da movimentação policial durante a operação contra a milícia de Juninho Varão.
O registro mostra a presença de equipes policiais na região durante o cumprimento das diligências.
Assista às imagens da operação no Instagram do Nova Iguaçu na Linha:
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O BelfordRoxo24h seguirá acompanhando os desdobramentos da investigação.
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